SÃO PAULO — Natália Vorcaro Zettel aparece ligada a 54 empresas que, juntas, somam mais de R$ 796 milhões, enquanto o pai, o irmão, um primo e o marido estão presos sob suspeita de envolvimento em fraudes no Banco Master. Ela figura como representante legal ou administradora em 33 empresas, diretora em 13 e presidente em oito. Do total, 37 não têm anotação judicial e estão livres para movimentações financeiras.
As empresas atuam principalmente com participação societária, holdings não financeiras, investimentos, gestão de negócios e mercado imobiliário. Natália é casada com Fabiano Zettel em regime de separação total de bens. O pai dela, Henrique Vorcaro, participa de 22 empresas. Daniel Vorcaro, ex-dono do liquidado Banco Master, não aparece oficialmente nas sociedades, enquanto Fabiano é sócio de uma.
Endereços e negócios imobiliários
Trinta e cinco empresas funcionam oficialmente no mesmo endereço, em uma sala comercial de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. Outras sete estão registradas no mesmo andar de um prédio na capital mineira. Algumas aparecem como sócias de outras empresas.
A atuação empresarial levou a uma representação criminal na Procuradoria Regional da República em São Paulo, apresentada pelo deputado federal Kiko Celeguim e pelo deputado estadual paulista Maurici. Os parlamentares apontam possíveis indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. O Ministério Público Federal em São Paulo confirmou que o pedido foi protocolado e informou que o caso tramita em segredo de Justiça.
Na análise apresentada pelos parlamentares, foram examinadas a compra de 13 imóveis por Natália — cinco em São Paulo e os demais na região metropolitana de Belo Horizonte — e de 15 imóveis da Ephesus Empreendimentos e Participações. Natália aparece como representante legal da Ephesus, que também participa de outras empresas do grupo.
Um dos negócios citados envolve quatro terrenos em Sete Lagoas (MG), comprados por R$ 2,5 milhões e posteriormente avaliados em R$ 10 milhões no leilão. A aquisição foi feita pela Superávit Participações, representada por Natália, que depois passou a se chamar Athenas Participações. O único sócio da empresa é Márcio Alexandre Saito.
Prisões e investigação
Entre os sócios e dirigentes das empresas também estão Francisco Stehling Bisneto, Pedro Henrique Barbosa da Cruz, Fernando Alves Vieira e Thiago Assumpção Henriques, nomes já citados em investigações sobre irregularidades do Banco Master.
Daniel Vorcaro é investigado por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes financeiras. Ele foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, no aeroporto de Guarulhos, e voltou a ser preso em março, sob suspeita de tentar interferir nas investigações. Henrique Vorcaro foi preso em maio por suspeita de fraude à execução, estelionato e lavagem de dinheiro. Felipe Cançado Vorcaro também foi preso em maio, acusado de intermediar pagamentos a políticos.
A Polícia Federal não informou se Natália é investigada. Ela não respondeu aos contatos feitos sobre o caso.








