NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Donald Trump disse a interlocutores que não pretende interferir nas eleições brasileiras. Em entrevista à CNN Internacional exibida nesta segunda-feira, 21, Lula avaliou a postura como positiva e declarou que o processo eleitoral é uma questão interna do Brasil.
A entrevista foi gravada pela manhã, em Nova York, e transmitida à tarde. Lula disse que espera de um presidente estrangeiro o respeito à autonomia das eleições brasileiras. Ao mesmo tempo, afirmou que o Brasil identificou indícios de interferência por meio do uso de inteligência artificial, sem detalhar os casos.
Disputa eleitoral e democracia
Candidato à reeleição, Lula classificou o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, como representante do negacionismo. O presidente afirmou que sua atuação é voltada para políticas destinadas às pessoas mais pobres, com foco em inclusão social, educação e saúde.
Ao tratar da disputa, Lula disse que tem certeza da vitória, embora tenha admitido preocupação com o pleito. Para ele, a eleição envolve uma escolha entre democracia e barbárie, além de temas como preservação da natureza, combate ao desmatamento, inclusão social e fortalecimento da cultura.
O presidente também elogiou as urnas eletrônicas e afirmou que o sistema brasileiro não enfrenta contestação do resultado eleitoral.
Relação comercial com os Estados Unidos
Na mesma entrevista, Lula criticou a condução da política comercial de Trump e defendeu o multilateralismo. Segundo o presidente brasileiro, o unilateralismo cria uma relação baseada na força entre os países. Lula afirmou ainda que pretende continuar negociando com os Estados Unidos e que é cauteloso quanto à aplicação da Lei de Reciprocidade enquanto houver conversas em andamento.
O presidente disse que o Brasil busca novos parceiros comerciais e criticou o chamado tarifaço. Também declarou que não pretende confrontar Trump nem interferir em assuntos domésticos dos Estados Unidos, mas afirmou que o governo norte-americano não deve governar outros países.
Os Estados Unidos mantêm uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi aplicada em 22 de julho, após uma investigação que envolveu temas como Pix, etanol e desmatamento na Amazônia. Em 24 de julho, Trump estabeleceu uma sobretaxa de 12,5% relacionada a uma investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA sobre produtos fabricados com trabalho forçado.
O governo brasileiro informou à Organização Mundial do Comércio que as tarifas são incompatíveis com as regras do comércio internacional e questionou a consistência das investigações que fundamentam as medidas.
Lula chegou a Nova York no domingo, 20. Ele fará o discurso do Brasil na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira, 22. Não havia confirmação de encontro bilateral com Trump.







