A aprovação de Donald Trump caiu para 29%, o menor nível registrado pelo American Research Group. O resultado ocorre antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que vão definir vagas no Congresso e governos estaduais. Especialistas avaliam que os republicanos podem perder o controle da Câmara dos Representantes e até do Senado.
Uma eventual derrota abriria espaço para investigações do Congresso sobre a atuação de Trump no cargo. O cenário também levanta dúvidas sobre a reação do presidente diante de uma perda de poder. O texto avalia que ele pode adotar uma postura ainda mais agressiva para preservar sua influência.
Guerra com o Irã afeta apoio e preços
A guerra com o Irã se tornou um dos principais pontos de desgaste. Na semana passada, nas Nações Unidas, Trump ameaçou aniquilar o país. A avaliação apresentada é que a declaração demonstra fraqueza, porque o presidente teria iniciado um conflito sem estratégia definida para vencê-lo ou encerrá-lo.
Nate Silver, ao acompanhar a média das pesquisas, apontou que 59% dos americanos são contra a guerra, enquanto 34% apoiam o conflito. Trump afirma que a liderança da República Islâmica do Irã só aceitará negociações sérias depois das eleições de meio de mandato, mas rejeitou iniciativas iranianas para conversar.
O Estreito de Ormuz continua funcionalmente fechado, enquanto os Houthis, aliados do Irã, bloqueiam a navegação no Mar Vermelho. O grupo também explodiu o oleoduto saudita construído para contornar o bloqueio iraniano. O texto relaciona esse cenário à manutenção de preços elevados do petróleo e do diesel, com impacto sobre alimentos, fertilizantes e transporte nos Estados Unidos e em outros países.
Conflito com a imprensa
Trump proibiu o acesso à Casa Branca da CNN, da MS Now, anteriormente MSNBC, e do Politico. Ao anunciar a medida, disse que ela puniria veículos que divulgassem notícias falsas. A decisão é descrita como uma violação da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de imprensa.
O grupo de imprensa que cobre a Casa Branca, formado por jornalistas, fotógrafos e emissoras em sistema de rodízio, decidiu boicotar reportagens sobre o presidente até que a proibição fosse retirada. A iniciativa também teve a participação da Fox News. No tribunal, o governo mudou a justificativa e passou a alegar que os veículos representavam risco à segurança nacional. Um juiz ordenou a revogação da proibição, mas Trump impediu a CNN de acompanhá-lo no Air Force One.
A expressão segurança nacional também foi usada para defender a construção de um salão de baile na Casa Branca, com a previsão de abrigos e sistemas de proteção sob o edifício. Depois de críticas à construção de um arco do triunfo de cerca de 76 metros em Washington, Trump afirmou que a estrutura poderia servir para atiradores de elite e para conter ataques de drones.
Propaganda e aproximação com líderes
Trump também é acusado de ter violado a legislação eleitoral federal ao usar um anúncio pago pelo governo dos Estados Unidos para promover sua candidatura. A Comissão Eleitoral Federal não tem quórum de comissários para tomar medidas legais, depois que o presidente se recusou a nomear novos integrantes.
O anúncio de trinta segundos apresenta imagens de Trump e frases como “O maior corte de impostos da história dos EUA” e “A América nunca será um país comunista”. A Casa Branca afirmou que se tratava de uma mensagem de utilidade pública. A senadora Maggie Hassan classificou a peça como propaganda governamental proibida, e o deputado Jaime Raskin prometeu iniciar investigações depois da posse do novo Congresso.
Apesar do discurso anticomunista, Trump se reuniu em Nova York com Zohran Mamdani, socialista democrata eleito prefeito da cidade no ano passado. O presidente elogiou Mamdani e disse que ele deveria visitar a Casa Branca. Também recebeu Xi Jinping, presidente da República Popular da China, durante uma visita de Estado de três dias. Não houve declaração conjunta sobre inteligência artificial ou sobre a guerra com o Irã, e as divergências comerciais ficaram para negociações futuras.
Trump ainda convidou Vladimir Putin para uma reunião do G20 em Miami, em dezembro de 2026. Líderes europeus que apoiam a Ucrânia manifestaram preocupação com o convite, enquanto observadores políticos continuam questionando a afinidade do presidente com líderes autoritários.
Republicanos se afastam do presidente
Uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos favoreceu a iniciativa de Trump de permitir o uso de listas eleitorais controladas pelos estados para retirar dos registros nomes considerados inelegíveis. A medida, porém, pode ter efeito limitado por causa do pouco tempo até as eleições. Em outra decisão, aliados conservadores no Judiciário barraram tentativas de impedir o voto por correio com base em alegações de participação ilegal de não cidadãos.
Trump anunciou que faria campanha em 35 distritos eleitorais disputados. Nesta semana, porém, estará no Alabama e em Oklahoma. O texto observa que ele venceu Kamala Harris por 35 pontos percentuais no Alabama, em 2024, e obteve 34,3% de votos a mais que seu adversário democrata em Oklahoma.
A alta dos juros e dos preços de alimentos e energia tornou mais competitivas disputas que antes favoreciam republicanos. O Partido Republicano passou a gastar centenas de milhões de dólares em áreas consideradas redutos conservadores. No Texas e na Flórida, candidatos democratas podem derrotar adversários republicanos.
Em distritos equilibrados, candidatos republicanos começaram a se distanciar de Trump. Alguns retiraram das redes sociais fotos com o presidente ou declarações favoráveis às políticas dele. A deputada Maria Elvira Salazar também criticou a política de imigração do governo, afirmando que 50% das pessoas detidas pelo Serviço de Imigração e Alfândega não tinham antecedentes criminais.
Trump inicialmente manteve o apoio a Salazar, mas depois passou a atacá-la nas redes sociais. Outros candidatos republicanos se afastaram do presidente por causa da guerra com o Irã e dos efeitos sobre alimentos e combustíveis, embora tenham votado contra resoluções pelo fim do conflito.
Se os republicanos perderem uma das casas legislativas ou o controle do Congresso, Trump deverá enfrentar investigações sobre corrupção e abuso de poder. A avaliação apresentada é que ele reagiria atacando o processo eleitoral, a imprensa e os democratas vitoriosos, em vez de aceitar pacificamente uma derrota.








