Relatórios internos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificam como crítico o risco de interferência e influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Os documentos também apontam discursos de figuras da extrema-direita no país como facilitadores de uma possível ofensiva contra a soberania nacional.
Um relatório entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Polícia Federal (PF) tratou do risco eleitoral. Documentos semelhantes vêm sendo produzidos desde novembro de 2025, quando o governo de Donald Trump ampliou seu plano de hegemonia na América Latina.
A avaliação da Abin considera que parte da extrema-direita brasileira mantém alinhamento ideológico com a gestão trumpista e pode colaborar com interesses americanos. O monitoramento inclui discursos intervencionistas capazes de causar impacto nas instituições e conquistar apoio popular e político para uma interferência dos Estados Unidos. Políticos com mandato e posicionamentos radicais, além de influenciadores digitais com poder de mobilização, podem estar entre os acompanhados.
Uma fonte da Abin afirmou que o cenário atual envolve interferência externa e preferência do governo americano pelo campo opositor. “Agora é um cenário de interferência externa em que o governo dos EUA tem preferência pelo campo opositor e vê nesse campo um facilitador de seus interesses unicamente americanos”, disse.
Minerais e contatos políticos
Fontes da Abin apontam que o interesse central dos Estados Unidos estaria na extração de terras raras. Mais de 20% das reservas mundiais desses minerais estão no solo brasileiro. Um decreto assinado por Trump busca acelerar a produção de minerais críticos e reduzir a dependência do governo chinês. O documento afirma que esses minerais são componentes de equipamentos como jatos, satélites, submarinos, bombas e sistemas de mísseis guiados.
A embaixada americana no Brasil procurou Sóstenes Cavalcanti (RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, para receber Riley Bernes e Samuel Samson, enviados do Departamento de Estado. A missão teria como objetivo lançar dúvidas sobre as urnas eletrônicas. O Itamaraty negou os vistos aos dois.
O Ministério das Relações Exteriores também não deu aval à indicação de Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Representante da Flórida, Perez teve o nome aprovado pelo Senado americano em 7 de agosto, mas não pode assumir sem o agrément, aceitação do país que receberá o indicado, previsto na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961.
As ações para estimular apoio à interferência americana foram intensificadas em 2026. Em 16 de julho, Marco Rubio convocou 66 países para um projeto de combate ao que chamou de terrorismo de extrema esquerda. Em 22 de setembro, os 14 países latino-americanos do Escudo das Américas assinaram um acordo para impor sanções ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).








