SÃO PAULO — Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, morreu nesta terça-feira (15). Jornalista, escritora, militante feminista e ativista dos direitos humanos, ela construiu uma trajetória ligada à resistência contra a ditadura militar, à defesa das mulheres e à responsabilização por crimes cometidos pelo Estado.
O velório ocorrerá nesta quarta-feira (16), entre 12h e 17h, no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo.
Nascida em Contagem, Minas Gerais, Amelinha começou cedo a militância política. Filiada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), participou da resistência clandestina ao regime instalado após o golpe de 1964.
Prisão e denúncia da repressão
Em 28 de dezembro de 1972, Amelinha foi presa em São Paulo e levada para instalações da Operação Bandeirantes (Oban) e do DOI-Codi. Durante a detenção, sofreu torturas físicas e violência sexual praticadas pelo então coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.
A repressão também alcançou seus filhos, Edson e Janaína, que tinham quatro e cinco anos. Eles foram sequestrados e levados ao centro de repressão, onde presenciaram a violência cometida contra os pais.
Depois de deixar a prisão política, Amelinha passou a denunciar as violações cometidas pelo Estado. Participou de movimentos pela localização de mortos e desaparecidos, pela preservação da memória da ditadura e pela responsabilização de agentes envolvidos em torturas.
Em 2005, integrantes da família Teles moveram uma ação declaratória contra Ustra pelas torturas sofridas durante a ditadura. Em 2008, a Justiça reconheceu o militar como torturador. A decisão foi confirmada posteriormente em instâncias superiores.
Atuação pelos direitos das mulheres
Em 1984, Amelinha fundou a União de Mulheres de São Paulo. Durante a Assembleia Nacional Constituinte, participou do “Lobby do Batom”, articulação que pressionou pela inclusão de garantias de igualdade entre homens e mulheres na Constituição de 1988.
Em 1994, idealizou o projeto Promotoras Legais Populares, voltado à formação jurídica de mulheres e lideranças comunitárias. A iniciativa depois chegou a diferentes municípios do país.
Amelinha também foi assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” e integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.
Repercussão
A morte provocou manifestações de ministros e parlamentares. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que a militante deixou uma marca profunda e destacou sua luta pelas mulheres, pelos direitos humanos, pela memória, pela verdade e pela justiça.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, lembrou que Amelinha foi presa e torturada por agentes do DOI-Codi e manifestou solidariedade a familiares e amigos.
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) chamou Amelinha de “uma lutadora imparável pelos direitos das mulheres” e ressaltou sua atuação contra a ditadura. Sâmia Bomfim (Psol-SP), Natália Bonavides (PT-RN) e Paulo Teixeira (PT-SP) também destacaram a resistência da militante, sua defesa da democracia e a contribuição para os direitos das mulheres.








