O Brasil precisa avançar do potencial mineral para as etapas de processamento de terras raras e outros minerais críticos, afirmou nesta terça-feira (22) Carlos Pascual, vice-presidente sênior da S&P Global. Para o executivo, essa mudança pode ampliar o valor econômico e estratégico do país na disputa global por soluções de inteligência artificial.
A declaração foi feita durante painel da ROG.e 2026, evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). Pascual comparou a estrutura brasileira com a chinesa e destacou a diferença entre a participação dos dois países nas reservas e no processamento.
A China concentra cerca de 35% das reservas mundiais de terras raras, mas responde por aproximadamente 90% a 95% do processamento. O Brasil reúne cerca de 23% das reservas, enquanto sua participação nessa etapa é de aproximadamente 0,2%.
“O mundo ainda não conseguiu responder ao problema central” — Carlos Pascual
Segundo o executivo, a concentração do processamento na China representa uma vulnerabilidade para cadeias estratégicas, incluindo as ligadas à defesa e aos data centers. Os Estados Unidos tentam ampliar o número de países fornecedores e diminuir a dependência de uma única origem, movimento que, na avaliação de Pascual, ajuda a explicar o interesse americano na região.
Processamento e agregação de valor
Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) mostram que, em 2024, a China foi responsável por 60% da produção mineral mundial de terras raras usadas em ímãs. A fatia chegou a 91% no refino e a 94% na fabricação de ímãs permanentes sinterizados.
As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos usados em equipamentos eletrônicos, computadores, veículos elétricos, equipamentos médicos e sistemas de geração de energia, entre outras aplicações, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).
O Brasil tem cerca de 23% das reservas globais, o equivalente a aproximadamente 21 milhões de toneladas, de acordo com dados divulgados pelo MME. A política para o setor busca ampliar a produção e também as etapas de transformação dentro do país.
Uma das iniciativas acompanhadas pelo ministério é o MagBras, em Lagoa Santa, Minas Gerais. O projeto desenvolve tecnologia nacional para fabricar ímãs permanentes de terras raras e pretende fortalecer a cadeia brasileira e elevar a agregação de valor dos recursos minerais.









