A abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, 22 de setembro, foi marcada por posições opostas de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Os presidentes discursaram em sequência, sem citar diretamente um ao outro, mas apresentaram visões diferentes sobre guerras, soberania, tecnologia e relações internacionais.
O encontro reúne líderes dos 193 países membros da organização. Lula busca a reeleição no Brasil, enquanto Trump está em campanha para a eleição de “meio de mandato” nos Estados Unidos, que define representantes da Câmara e do Senado do país.
Guerras e Tribunal Penal Internacional
Lula abriu sua fala criticando a atuação da ONU na prevenção de conflitos. Para o presidente brasileiro, o direito de veto das grandes potências no Conselho de Segurança está entre as causas dos problemas da organização. O conselho tem 15 países, dos quais cinco são membros permanentes: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.
Trump, por outro lado, agradeceu ao Conselho de Segurança por uma resolução contra “ataques terroristas do Irã” a navios comerciais. Também afirmou que a marinha norte-americana havia retirado “mais de um bilhão” de barris de petróleo do Estreito de Ormuz, o que, segundo ele, reduzia o preço dos combustíveis fósseis.
Lula associou o estreito ao aumento dos custos de combustíveis, fertilizantes e alimentos. Sobre os conflitos, defendeu a diplomacia e afirmou que a guerra representa a falência da política.
Os dois também divergiram sobre Gaza. Trump disse que os reféns israelenses haviam retornado e que milhares de vidas foram salvas. Lula mencionou o sofrimento de gerações de palestinos e afirmou que civis israelenses também pagaram pelos atos terroristas do Hamas.
O Tribunal Penal Internacional foi outro ponto de contraste. Lula disse que a situação em Gaza e na Cisjordânia poderia permanecer impune caso a corte e seus integrantes continuassem sendo perseguidos. Trump declarou que não permitiria investigações ou processos contra integrantes das Forças Armadas dos Estados Unidos e pediu que os países membros deixassem a instituição.
Soberania e América Latina
Trump comemorou um acordo com a Dinamarca sobre a segurança da Groenlândia, anunciou duas bases militares no território e afirmou que adversários dos Estados Unidos não poderiam estabelecer presença militar ali sem aprovação norte-americana. O acordo foi assinado depois da saída de Trump da Assembleia. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que o pacto seria positivo para a Groenlândia, a Dinamarca, a Otan e a Europa.
Ao tratar da América Latina, Trump classificou como bem-sucedidas ações envolvendo a Venezuela e citou o então presidente Nicolás Maduro. Também falou sobre um acordo relacionado à produção de petróleo venezuelano e afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, participava de negociações sobre a retirada do regime cubano.
Lula criticou a ingerência externa em processos eleitorais e defendeu que o povo venezuelano decida seu próprio destino. Sobre Cuba, classificou como ilegais o embargo econômico e o cerco energético ao país e mencionou a punição coletiva de 10 milhões de pessoas.
Inteligência artificial, Pix e tarifas
Lula defendeu a regulamentação das Big Techs e da inteligência artificial, além de criticar empresas de apostas, as Bets. Para o presidente, os riscos desses produtos acabam transferidos às famílias e a indústria transforma o vício em lucro.
Trump afirmou que não pretende regular a tecnologia, chamada por ele de “superinteligência”, mas encorajá-la. Também usou críticas às previsões sobre mudanças climáticas para contestar alertas relacionados à inteligência artificial e aos robôs.
Na parte voltada a temas de campanha, Lula defendeu o Pix e disse que o Brasil não cederia a pressões de multinacionais. Também criticou medidas protecionistas apresentadas como defesa ambiental e afirmou que o desmatamento na Amazônia caiu pela metade, alcançando o menor nível em 11 anos.
O presidente ainda rejeitou ideias de supremacia racial, submissão feminina e recolonização do Sul Global. Ao defender um país livre do feminicídio, recebeu aplausos dos líderes presentes na Assembleia.








