O cartunista e jornalista Renato Aroeira criticou a cobertura da imprensa sobre a disputa presidencial de 2026 e afirmou que parte dos profissionais estaria ajudando a deslocar o debate sobre Flávio Bolsonaro para a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
Na avaliação de Aroeira, jornais e emissoras deveriam cobrar do candidato seus antecedentes, propostas e relações políticas, além de considerar o histórico de confronto do bolsonarismo com a imprensa. Ele também questionou a participação de jornalistas em uma possível normalização da candidatura de Flávio.
“Eu acho que a gente tem que cobrar os colegas. Eu sou jornalista.”
Críticas à cobertura eleitoral
Aroeira afirmou que o espaço dado a investigações, vazamentos e disputas institucionais passou a dominar o noticiário justamente quando a eleição entra em uma fase de maior polarização. Para ele, essa mudança reduz a cobrança sobre episódios associados à família Bolsonaro, como o caso das “rachadinhas” e as relações políticas construídas no Rio de Janeiro.
O cartunista também relacionou o cenário atual à cobertura de notícias envolvendo o filho de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, a repetição desses assuntos teria produzido efeito político mesmo quando não havia elementos capazes de sustentar acusações.
Aroeira disse ainda que percebe uma mudança no comportamento das redações. Jornalista há cerca de cinco décadas, afirmou que antes era mais comum encontrar profissionais que cumpriam uma orientação editorial sem necessariamente compartilhar a posição política dos proprietários dos veículos. Na avaliação dele, essa separação perdeu força.
Flávio e a relação com Jair Bolsonaro
Um dos alertas apresentados por Aroeira é a ideia de que Flávio Bolsonaro seria mais previsível ou controlável do que Jair Bolsonaro. Para o cartunista, as diferenças de estilo e comunicação entre os dois não significam moderação política.
Ele afirmou que Flávio pode utilizar assessorias com mais eficiência e evitar declarações improvisadas, mas manteria a continuidade política com o pai. Aroeira também disse que setores da imprensa não deveriam apostar na possibilidade de controlar uma nova versão do bolsonarismo.
Na análise do jornalista, a crise envolvendo o ministro André Mendonça e outros integrantes do STF contribuiu para retirar a candidatura de Flávio do centro do debate. O deslocamento da pauta, segundo ele, diminui a pressão para que o candidato responda sobre seu histórico político.
Estratégia para o campo progressista
Aroeira afirmou que a eleição não está definida e defendeu uma comunicação mais direta de Lula com a população. Para ele, entrevistas, eventos, conteúdos curtos nas redes sociais e trabalho político nos municípios podem ampliar o alcance do campo progressista.
O cartunista também citou a necessidade de superar as bolhas digitais e dialogar com setores sociais aos quais a esquerda tem dificuldade de chegar. Na avaliação dele, a perda de credibilidade da mídia tradicional e a expansão das redes sociais enfraqueceram a confiança nas instituições e favoreceram candidaturas centradas em figuras individuais.
Aroeira disse não considerar o campo governista derrotado. Para ele, a campanha deve apresentar as realizações do governo Lula e, ao mesmo tempo, retomar a cobrança pública sobre o histórico de Flávio Bolsonaro.








