RIO GRANDE DO SUL — Pequenos produtores rurais do Rio Grande do Sul iniciam a nova safra de verão pressionados por dívidas acumuladas após anos de perdas provocadas por problemas climáticos. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) estima que os débitos de agricultores e pecuaristas vinculados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) somem R$ 8,5 bilhões.
Apenas cerca de R$ 3 bilhões, equivalentes a 35% do total, estão elegíveis para renegociação pelas regras da Medida Provisória (MP) 1.376/2026, publicada pelo governo federal.
Crise financeira no campo
Na região oeste do Estado, a situação é apontada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tupanciretã e Jari. Dos aproximadamente 1.500 agricultores familiares representados pela entidade, 80% enfrentam grave crise financeira e endividamento crescente.
João Antônio Moreira Cardoso, presidente do sindicato e pequeno produtor, afirma que os agricultores vêm acumulando perdas por diferentes motivos. “A gente vem de cinco anos sofrendo redução na produção”, disse. Segundo ele, a combinação de seca, enchente e preços reduziu gradualmente as reservas financeiras das famílias.
A falta de recursos também tem levado produtores a deixar a atividade e procurar empregos assalariados. Cardoso relata ainda aumento nas rescisões de contratos em propriedades maiores, porque os empregadores não conseguem manter os trabalhadores.
Menor investimento na lavoura
Em Nova Esperança do Sul (RS), o produtor Gabriel Silva cultiva soja no verão e mantém pastagem para o gado no inverno, em uma propriedade de 30 hectares. Ele acumulou prejuízos com quebras de safra em 2021/22 e 2022/23, quando a produtividade da soja caiu para médias de 15 e até 5 sacas por hectare.
A produção se recuperou na safra 2025/26, com chuvas mais regulares, mas a diferença entre os custos, especialmente com fertilizantes, e o preço da soja manteve o resultado financeiro negativo. Com menos margem para investir no manejo, Silva afirma: “A gente já não tem como investir o que investia antes.”
Para o novo ciclo, o produtor pretende reduzir gastos com adubo, herbicida, inseticida e fungicida, mantendo apenas o básico até que o clima e os preços se normalizem.








