MINAS GERAIS — A venda da Copasa, avaliada em US$ 1,114 bilhão, foi o maior negócio entre as fusões e aquisições monitoradas em Minas Gerais neste ano. O valor corresponde a R$ 5,7 bilhões. Também estão entre as principais operações a venda de cinco subsidiárias de transmissão da Energisa para a Taesa, por US$ 307,7 milhões (R$ 1,58 bilhão), e a negociação de 11 galpões logísticos da Log Commercial Properties, de US$ 204 milhões (R$ 1,05 bilhão).
Concentração em operações maiores
O levantamento da TTR Data contabilizou 103 transações no Estado. Desse total, 70 foram concluídas e 33 permanecem em curso. As operações movimentaram US$ 2,82 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 14,55 bilhões pela cotação de R$ 5,16.
Em número de negócios, Internet, Software & IT Services ficou na liderança, com 17 transações e US$ 174 milhões movimentados, ou R$ 897 milhões. Real Estate teve 14 operações e concentrou o maior valor entre os setores, com US$ 715 milhões (R$ 3,68 bilhões). Banking & Investment registrou sete negócios, que somaram US$ 24 milhões (R$ 123,84 milhões). Em Food, foram seis transações e US$ 105 milhões, cerca de R$ 541,8 milhões.
No país, as fusões e aquisições chegaram a R$ 210,7 bilhões até agosto, distribuídas em 834 transações. A quantidade de negócios caiu 31% na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto o capital mobilizado cresceu 11%. Os valores foram divulgados em apenas 43% das operações, e 77% delas foram concluídas.
Para Fernando Moreira, advogado e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o resultado indica um mercado mais seletivo, com maior peso de transações de grande porte. “O mercado brasileiro está fazendo menos negócios, mas movimentando mais dinheiro”, afirma.
Moreira ressalta que os R$ 14,55 bilhões associados a Minas Gerais não representam necessariamente recursos já ingressados integralmente na economia do Estado. O professor também observa que uma aquisição pode envolver expansão, tecnologia e contratação, mas igualmente reorganização e redução de estruturas. Como menos da metade das operações teve valores divulgados, uma ou poucas aquisições de grande porte podem alterar significativamente o resultado.
Exigências para empresas e investidores
Vanderlei Garcia, advogado e consultor jurídico, define o cenário como um mercado “mais seletivo, não mais fraco”. Na avaliação dele, processos de due diligence, garantias contratuais e organização empresarial ganham importância para empresas que buscam compradores.
Garcia afirma que companhias com contas confiáveis, contratos organizados e riscos mapeados tendem a oferecer mais segurança aos investidores. Ele também descreve um mercado de duas velocidades: de um lado, a consolidação e os negócios estruturados; de outro, a falta de recursos para inovação em estágio inicial.
A Venture Capital recuou 46% em volume de operações, enquanto Private Equity caiu 13% e Asset Acquisitions, 8%. Para Garcia, o movimento indica menor disponibilidade de capital para startups e empresas de base tecnológica ainda pré-lucro, ao mesmo tempo em que negócios com ativos maduros e fluxo de caixa mais previsível sofrem retrações menores.
As 103 operações de Minas Gerais representam cerca de 12% dos negócios registrados e com valores divulgados no país. Os R$ 14,55 bilhões equivalem a aproximadamente 7% do volume financeiro nacional. Para Garcia, o resultado reforça a relevância do Estado no mercado nacional de M&A, com perfil mais conservador e diversificado que a média brasileira.








