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Do biodiesel ao etanol, categorias de corrida ampliam testes para o agro

Competições usam combustíveis de diferentes matérias-primas e aceleram avaliações que podem chegar a caminhões, máquinas agrícolas e carros de rua.

Do biodiesel ao etanol, categorias de corrida ampliam testes para o agro
Foto: Divulgação/WEC

A Copa Truck passou a usar neste ano um combustível produzido a partir da bidestilação do biodiesel. O BeVant, fornecido pela brasileira Be8, abastece todas as equipes da competição e é testado em condições de alta velocidade, rotação do motor e carga térmica.

A produção ocorre na unidade da empresa em Passo Fundo (RS), que também fabrica biodiesel com soja, gordura animal e óleo de cozinha usado. A soja representa 70% da matéria-prima. A proposta é substituir totalmente o diesel em veículos pesados e máquinas agrícolas. A Be8 estima redução de até 99% das emissões em relação à mistura de 15% de biodiesel no derivado de petróleo.

“Levamos o combustível para uma situação extrema de velocidade, rotação de motor e carga térmica e podemos coletar dados precisos para que, no futuro, possamos aperfeiçoá-lo”, afirma Camilo Adas, diretor da empresa.

A pista como etapa de desenvolvimento

Para Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), as competições funcionam como uma vitrine para os fornecedores e ajudam a levar os produtos à escala necessária para o uso nas ruas. O automobilismo permite avaliar o desempenho das tecnologias sem abandonar os critérios de performance, emoção e competitividade do esporte.

A aproximação com o agronegócio ocorre principalmente pelas matérias-primas dos combustíveis. Gonçalo Pereira, pesquisador da área de energia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que o Brasil pode se beneficiar da exposição proporcionada pelas pistas, por sua experiência em bioenergia e pela existência de grandes áreas degradadas que podem se tornar produtivas.

Na Copa Truck, o contrato entre a Be8 e a organização tem duração de quatro temporadas. Erasmo Carlos Batistella, CEO da companhia, diz que as negociações começaram há três anos e que o produto usado pelos caminhões de corrida é o mesmo comercializado para outros clientes. A visibilidade alcança transportadores, montadoras e concessionárias, segundo o executivo.

A competição reúne os principais fabricantes de caminhões do Brasil e prevê controle de emissões durante treinos e corridas. Carlos Col, CEO da categoria, afirma que a mudança reduziu emissões e melhorou a performance em pista. Em junho, a ATTO Sementes anunciou a entrada como patrocinadora.

Etanol e novas misturas

O uso de combustíveis renováveis no automobilismo brasileiro remonta à década de 1970. Durante as crises do petróleo e a alta dos preços da gasolina, o governo proibiu corridas nacionais e propôs a adoção do etanol. Em 7 de setembro de 1979, o Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, recebeu o Festival do Álcool, com 13 baterias de carros de diversas categorias.

Atualmente, Nascar Brasil, Copa Hyundai HB20, Kartcross, Autocross e Turismocross utilizam 100% etanol. O Campeonato Brasileiro de Endurance usa uma mistura de 50% de gasolina e etanol. Categorias como Stock Car, Porsche Cup e Fórmula 4 seguem a regulamentação da mistura, autorizada em julho a passar para 32%.

Felipe Giaffone, piloto da Copa Truck e comentarista de automobilismo dos Canais Globo, afirma que as categorias acompanham as tendências da indústria automobilística, mas conseguem desenvolver as soluções com mais intensidade antes que elas sejam aplicadas nos veículos de rua.

Resíduos de uva abastecem provas na França

No World Endurance Championship (WEC), categoria que inclui as 24 horas de Le Mans, todo o grid utiliza combustível 100% renovável. A TotalEnergies produz o combustível a partir de bioetanol feito principalmente com resíduos da vitivinicultura francesa, como bagaços e borras de uva.

O produto abastece, desde 2022, os modelos Hypercar e LMGT3. Neste ano, a empresa lançou uma evolução com óleos usados e resíduos de polpa de beterraba, madeira e indústria de papel. A promessa é reduzir em pelo menos 65% as emissões em comparação com o combustível fóssil durante todo o ciclo de vida.

Marius Louvet, diretor de comunicação e marketing do WEC, afirma que o desenvolvimento foi proposto pelo fornecedor para criar um produto de origem biológica com possível aplicação posterior em veículos de rua. A categoria, segundo ele, dá visibilidade à tecnologia e cria condições para que os fabricantes façam testes.

Diferentes rotas tecnológicas

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) pretende neutralizar as emissões de carbono de competições e operações até 2030. A entidade considera sustentável o combustível que reduza pelo menos 65% das emissões em todo o ciclo, seja produzido a partir de fontes não alimentícias e possa ser usado em um motor convencional.

A primeira categoria regulada pela FIA a adotar combustível 100% sustentável, o HVO 100 biodiesel, foi o European Truck Racing, em 2021. Para Thomas Chevaucher, diretor técnico de engenharia da entidade, as competições aceleram a inovação porque ocorrem em ambientes controlados, com pilotos profissionais e provas frequentes.

O WEC planeja colocar um Hypercar a hidrogênio na pista em 2030, competindo em igualdade de condições com os carros atuais. Giaffone considera o modelo híbrido uma das alternativas mais eficientes, enquanto Gonçalo Pereira defende a combinação entre biocombustível e motor elétrico. Rogério Gonçalves avalia que motores a combustão abastecidos com combustíveis sustentáveis ainda terão espaço por um bom tempo.

A Fórmula 1 adotou neste ano motores híbridos com metade da potência à combustão, abastecida por combustível sustentável, e metade elétrica. Para as próximas temporadas, estão previstos ajustes na distribuição de potência, com maior relevância da combustão. O presidente da FIA, Mohammad ben Sulayem, também defende a volta dos motores V8 até 2031, mantendo o uso de combustíveis sustentáveis.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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