A China sinalizou a empresas brasileiras de sementes que busca uma soja com maior estabilidade durante o transporte e o armazenamento, além de volume e preço competitivos. A preocupação está ligada ao risco de deterioração, aquecimento e crescimento de fungos nas cargas enviadas pelo Brasil.
O tema foi discutido no início de agosto, durante uma viagem de empresas brasileiras do segmento de sementes à China, a convite da DBN Biotech. Em Pequim, a comitiva se reuniu com a direção da Cofco, empresa estatal chinesa de alimentos e uma das maiores tradings de commodities agrícolas do mundo.
A viagem da soja brasileira até a China leva cerca de 30 dias. Os navios deixam o Brasil a partir de junho, depois do fim da colheita, durante o inverno no Hemisfério Sul. Parte relevante do percurso ocorre no Hemisfério Norte, onde as embarcações enfrentam o verão úmido. Para as tradings, uma variedade mais resistente poderia reduzir os problemas nesse trajeto.
A China recebeu quase 80% das exportações brasileiras de soja em 2025. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), foram 87,1 milhões de toneladas destinadas ao país no ano passado. Por causa do tamanho desse mercado, mudanças nas exigências chinesas podem afetar produção, armazenagem e desenvolvimento de novas variedades no Brasil.
Uma das propostas discutidas é reduzir o padrão de umidade da soja de 14% para 13%. Participantes do encontro afirmam que a medida poderia aumentar a estabilidade e a vida útil do produto na armazenagem e no transporte. Para o produtor, porém, a alteração significaria menor peso comercializado e poderia exigir mudanças na secagem e na armazenagem.
“Melhorar a qualidade é importante, mas o custo dessa mudança não pode simplesmente ser transferido para o produtor”, afirmou um dos interlocutores do encontro.
O presidente da Associação dos Multiplicadores de Semente de Soja do Brasil (Amssoja), André Schwening, disse que as demandas do principal cliente precisam ser ouvidas, mas defendeu a avaliação do efeito sobre as margens dos agricultores. Segundo ele, o teor de umidade já é discutido por entidades do setor no Brasil.
Controle e qualidade do grão
Em março deste ano, a China passou a exigir controles fitossanitários mais rigorosos sobre cargas de soja brasileiras. Autoridades chinesas identificaram insetos vivos, resíduos de defensivos e danos provocados pelo calor em carregamentos. Com a mudança, o Ministério da Agricultura brasileiro intensificou as inspeções destinadas à exportação para o país.
As empresas também discutiram características como pureza e concentração de óleo e proteína. Representantes do setor afirmaram que os compradores chineses querem evitar queda na concentração de proteína e, idealmente, elevar a de óleo. A edição gênica é apontada por empresas que se preparam para atuar no mercado brasileiro de biotecnologia agrícola como uma possibilidade para buscar essas características.
A DBN Biotech, que convidou o grupo brasileiro, prepara sua entrada no mercado brasileiro de biotecnologia de soja transgênica.








