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Política

Sessão do STF expõe divergências sobre investigação ligada a Moraes

Gilmar Mendes criticou a condução de André Mendonça, enquanto ministros divergiram sobre a apuração e o afastamento do diretor-geral da PF.

A condução da investigação que envolveu Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro provocou uma discussão entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15). Gilmar Mendes questionou a decisão de André Mendonça de determinar, em agosto, uma nova análise de informações que já estavam disponíveis desde março e que resultaram em um relatório da Polícia Federal (PF).

A manifestação ocorreu durante uma sessão extraordinária destinada ao julgamento da Petição 16.662. O documento, produzido pela PF, tem 218 páginas e foi elaborado após Mendonça determinar a identificação de integrantes de uma suposta rede de influência de Vorcaro. A análise encontrou Alexandre de Moraes entre os destinatários de comunicações localizadas no celular do dono do Banco Master.

Gilmar afirmou que a sequência dos atos teve “evidente viés político-eleitoral”. Para o ministro, a produção do relatório durante o período eleitoral poderia atingir Moraes. Ele também disse que Mendonça não poderia alegar desconhecimento sobre o possível conteúdo da diligência e criticou a retirada do sigilo do documento antes de o plenário analisar a validade da apuração.

Questão de ordem e divergências

A discussão começou após Flávio Dino apresentar uma questão de ordem sobre a condução dos processos relacionados a Mendonça e Moraes. Dino defendeu a reunião das petições e questionou se a Presidência do STF poderia retirar processos de seus relatores e assumir a condução sem redistribuição.

A sessão foi suspensa. A questão de ordem deve ser votada quando os trabalhos forem retomados, às 14h.

O presidente do STF, Edson Fachin, negou ter avocado os processos ou destituído relatores. Segundo ele, Mendonça encaminhou a petição à Presidência porque havia o envolvimento de outro integrante da Corte e decisões conflitantes no tribunal. Fachin sustentou que cabe ao plenário examinar questões que envolvam ministros do STF.

Mendonça confirmou o encaminhamento. Ele afirmou que, diante de elementos relacionados a um ministro do tribunal, estavam em jogo prerrogativas da própria Corte, o que justificaria submeter o caso ao presidente e ao plenário.

A Procuradoria-Geral da República questiona a validade da diligência e afirma que uma apuração envolvendo um ministro do STF deveria ser autorizada pelo plenário.

Críticas à PF e aos vazamentos

Gilmar também criticou o tratamento dado às informações encontradas no celular de Vorcaro. Segundo ele, quase 200 páginas foram produzidas para reunir referências a Moraes, enquanto dados envolvendo outras autoridades e parentes de integrantes da Corte não teriam recebido o mesmo impulso investigativo.

O ministro questionou se o rigor da persecução penal estaria sendo aplicado de acordo com a identidade do investigado. Também criticou os vazamentos relacionados ao caso e levantou dúvidas sobre a origem das informações, mencionando a PF, o gabinete de Mendonça e a estrutura do próprio Supremo.

Na avaliação de Gilmar, a sequência de atos poderia pressionar o tribunal por meio da opinião pública. Ele classificou como “atitude covarde” a exposição de colegas da Corte e de familiares.

Outro ponto de conflito foi o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da PF, determinado por Mendonça. Gilmar considerou a medida de extrema gravidade e afirmou que alguém com conhecimento mínimo sobre o funcionamento da corporação não faria o afastamento daquela forma.

Luiz Fux, presidente da Segunda Turma, defendeu a decisão. Segundo ele, o colegiado identificou desvios de finalidade na atuação da direção da PF e concluiu que a corporação não poderia ser usada contra o Poder Judiciário. Fux mencionou a existência de uma “PF paralela” voltada ao monitoramento de ministros.

Alexandre de Moraes também participou do debate e questionou quem teria medo da PF. Mendonça defendeu as medidas adotadas diante do que considera indícios de monitoramento irregular de integrantes do Supremo.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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