A disputa presidencial no Nordeste mantém Luiz Inácio Lula da Silva na liderança em seis estados pesquisados, mas apresenta uma divisão importante entre eleitores católicos e evangélicos. As pesquisas da Quaest, realizadas entre 24 e 29 de agosto, abrangem Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Maranhão e Alagoas.
Em cinco estados, Lula aparece com mais de 30 pontos percentuais de vantagem sobre Flávio Bolsonaro na intenção de voto estimulada para o primeiro turno. Alagoas é a exceção, com diferença de 15 pontos a favor de Lula.
Mulheres e jovens
Entre as mulheres, Lula supera 50% das intenções de voto em todos os estados analisados, com exceção de Alagoas, onde registra 45%. Entre os homens, a vantagem é menor, mas passa de 30 pontos na Bahia, em Pernambuco e no Maranhão. Na Paraíba e no Rio Grande do Norte, supera 25 pontos. Em Alagoas, a diferença entre os dois candidatos é de 9 pontos.
O apoio a Lula também cresce conforme aumenta a faixa etária. Flávio Bolsonaro obtém seus melhores resultados entre eleitores de 16 a 34 anos, embora Lula lidere na maioria dos estados nesse grupo. A vantagem de Lula supera 20 pontos no Rio Grande do Norte, no Maranhão, em Pernambuco e na Bahia, além de chegar a 12 pontos na Paraíba. Em Alagoas, há empate técnico: Lula tem 38% e Flávio Bolsonaro, 35%.
Diferença entre católicos e evangélicos
A religião é o principal fator de divisão identificado nas pesquisas. Entre os católicos, Lula lidera em todos os estados e supera 50% em Alagoas e na Paraíba. Nos demais estados, passa de 60%. A distância para Flávio Bolsonaro varia de 29 pontos, em Alagoas, a 53 pontos, na Bahia.
Entre os evangélicos, a vantagem diminui ou deixa de existir. Na Paraíba, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados, com 35% cada. Em Alagoas, Flávio lidera por 23 pontos, com 48% contra 25% de Lula. Na Bahia, em Pernambuco e no Maranhão, Lula permanece numericamente à frente por 4, 7 e 9 pontos, respectivamente, diferenças dentro da margem de erro.
Os dados de aprovação do governo seguem padrão semelhante. Entre católicos, a aprovação supera 60% nos seis estados, chegando a 73% no Maranhão e a 70% em Pernambuco. Entre evangélicos, a aprovação supera a desaprovação apenas no Maranhão, no Rio Grande do Norte e em Pernambuco.
Na Bahia e na Paraíba, a desaprovação entre evangélicos chega a 53%, diante de 41% e 40% de aprovação, respectivamente. Em Alagoas, 63% desaprovam o governo Lula e 31% aprovam.
O eleitorado evangélico aparece como espaço de avanço para a oposição. A primeira visita de campanha de Flávio Bolsonaro ao Nordeste ocorre em Alagoas e inclui participação em uma convenção estadual da Assembleia de Deus.
A composição religiosa da região também pesa na disputa. De acordo com o Censo de 2022, os católicos correspondem a 63,9% da população nordestina. Para Lula, preservar a vantagem entre católicos e reduzir a resistência entre evangélicos é central para manter uma margem ampla no Nordeste em uma eventual disputa nacional mais acirrada.








