Documentos da Polícia Federal tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal apontam Flávio Bolsonaro como interlocutor direto do empresário Daniel Vorcaro nas negociações para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Vorcaro é ex-dono do Banco Master.
A apuração faz parte de um inquérito instaurado em julho no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas, com foco no fluxo de recursos privados e do sistema financeiro negociados com Vorcaro.
Negociações e pagamentos
De acordo com o relatório encaminhado pela PF ao STF, Flávio não aparece apenas como uma pessoa mencionada por intermediários. Os investigadores apontam que ele participou diretamente da cobrança de repasses, do agendamento de reuniões presenciais e do acompanhamento das gravações.
As negociações previam repasses de até R$ 131 milhões (US$ 24 milhões). Desse total, cerca de R$ 60 milhões foram transferidos por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos.
Mensagens do publicitário Thiago Miranda, de dezembro de 2024, registram encontros entre Vorcaro e Flávio para tratar da produção audiovisual. Em setembro de 2025, Flávio enviou um áudio ao empresário para cobrar pagamentos atrasados. Na mensagem, demonstrou preocupação com prazos e compromissos assumidos com o ator principal e o diretor do filme.
Em outubro de 2025, Flávio informou que as filmagens haviam começado e pediu que Vorcaro avisasse caso não pudesse fazer os aportes, para que fossem buscadas alternativas. Na mesma ocasião, convidou o empresário para um jantar em São Paulo com a equipe da produção.
Em novembro de 2025, Flávio enviou um vídeo afirmando que a gravação ocorria por causa da ajuda de Vorcaro. Na véspera da prisão do empresário na Operação Compliance Zero, tentou contato por telefone e escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.
A investigação também aponta que Eduardo Bolsonaro orientou remessas internacionais destinadas ao fundo Havengate, no Texas, usado na transferência dos recursos. A defesa de Flávio afirma que não houve verba pública na produção e nega irregularidades.








