O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes, é alvo de suspeitas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e vem sendo questionado por decisões tomadas em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. As informações sobre o caso ainda estão sob investigação.
A Polícia Federal suspeita que um contrato de advocacia de R$ 427 milhões entre o Banco Master e a chamada “Turma do KN” buscava atender a interesses de Vorcaro nos tribunais superiores. O grupo era associado ao desembargador Newton Ramos, do TRF-1, e à advogada Camilla Ramos, sua esposa.
Contrato e mensagens
O contrato previa remuneração caso fossem destravados R$ 8,5 bi em precatórios. A suspeita investigada é de venda de sentenças. Mensagens atribuídas a Vorcaro também mencionam pedidos ligados a Kassio Nunes, identificado nas conversas pela sigla “KN”.
Em uma delas, uma funcionária do Banco Master encaminhou a Vorcaro um pedido relacionado a uma tarifa promocional no Fasano. O banqueiro respondeu: “pode colocar na minha conta”. As mensagens também indicam que Vorcaro teria contratado uma prostituta para o ministro. O encontro teria ocorrido no apartamento de Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha e apontado como operador financeiro do grupo de Vorcaro.
O filho de Kassio Nunes também aparece no caso. Em dois anos de carreira como advogado, teria acumulado R$ 27,7 milhões em patrimônio. Mensagens trocadas entre Vorcaro e o diretor jurídico do Banco Master apontam pagamentos de R$ 500 mil por mês ao advogado.
Decisões no tribunal eleitoral
No início de junho, Kassio Nunes proibiu, a pedido de Flávio Bolsonaro, uma pesquisa eleitoral da Atlas/Intel. O levantamento mostrava queda nas intenções de voto do senador.
Antes do começo da campanha, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo com acusações contra Lula e pediu apoio de “Deus”, enquanto associava o adversário ao “diabo”. A candidatura de Lula solicitou a retirada do conteúdo, mas o pedido foi negado. Kassio Nunes afirmou que não houve imputação de crime e classificou a linguagem como “contundente, hiperbólica e retórica”.
O caso foi levado ao plenário do TSE, que derrubou a decisão por 5 a 2. Nesta semana, o ministro também determinou que Lula retirasse do ar um vídeo sobre o caso Master.
Pelo menos cinco ministros e técnicos do TSE disseram ter identificado alinhamento de Kassio Nunes com as posições da equipe jurídica de Flávio Bolsonaro. A avaliação apresentada é que o tribunal teria se aproximado de uma atuação favorável ao candidato.
Impedimento no caso Master
Ao analisar Alexandre de Moraes no caso Master, Kassio Nunes declarou-se impedido. Ele afirmou que não se sentia confortável em participar do julgamento como presidente do TSE porque a decisão poderia impactar as eleições de 2026.
“Eu me declaro impedido”, disse o ministro.
A diferença entre essa declaração e sua atuação em processos eleitorais envolvendo Flávio Bolsonaro passou a ser questionada. O caso Master é tratado no texto como um dos principais temas da eleição, enquanto Kassio Nunes permanece à frente do tribunal responsável pelo processo eleitoral.









