O ministro Gilmar afirmou que André Mendonça tentou envolver o Supremo Tribunal Federal nas eleições ao pedir à Polícia Federal um relatório sobre suspeitas que ligariam Alexandre de Moraes a Vorcaro. A declaração ocorreu durante a sessão que analisa a abertura de investigação contra Moraes.
Segundo Gilmar, as suspeitas sobre o elo entre os ministros já existiam desde o início de março deste ano, mas Mendonça teria esperado o período eleitoral para solicitar o documento. O decano disse que o relatório provavelmente atingiria justamente a pessoa que Mendonça buscava implicar.
Antes de levar o caso ao plenário, ainda conforme Gilmar, Mendonça retirou o sigilo do relatório para pressionar quem se posicionasse contra sua conduta. O ministro afirmou ter defendido ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a separação entre a Corte e as eleições.
Gilmar classificou Mendonça como um “boneco eleitoral” e afirmou que houve uma conduta mafiosa. Para ele, quem concentra sozinho uma informação capaz de alcançar outros integrantes do colegiado passa a exercer ascendência sobre esses ministros.
O decano também disse que mesmo um colega eventualmente envolvido não poderia ser submetido a esse tipo de exposição. Em outra crítica, afirmou: “Até a máfia tem ética. É preciso ter decência”.
Durante a fala, Mendonça interrompeu a sessão e declarou que todos os vazamentos resultaram em determinações para abertura de inquéritos, conduzidos pela própria Polícia Federal.
Após o confronto entre os ministros, Edson Fachin determinou um intervalo de uma hora no julgamento. A pausa ocorreu por causa da exibição do horário eleitoral nas televisões, que interromperia a transmissão da sessão pela TV Justiça.








