A preocupação com a crise climática está presente para 91% dos brasileiros, que consideram importante ou muito importante que os candidatos apresentem propostas para enfrentar o problema. Para 62%, o tema é muito importante. Os dados são de uma pesquisa Ipsos encomendada pelo Observatório do Clima (OC) e divulgada nesta quinta-feira (17).
O levantamento mostra também que 85% dos entrevistados veem impacto das mudanças climáticas no cotidiano da população. Outros 79% defendem que o tema seja priorizado mesmo com possíveis custos econômicos, enquanto 76% acreditam que ainda é possível evitar os efeitos mais graves se medidas forem adotadas imediatamente.
Apesar disso, a agenda ambiental aparece apenas na nona posição entre 14 temas apresentados aos entrevistados. A segurança pública e a criminalidade lideram, com 49% das escolhas, seguidas pelo aumento do custo de vida ou inflação, com 41%, e pela violência contra as mulheres e os feminicídios, com 36%. As mudanças climáticas e a crise ambiental foram apontadas como prioridade por 19%.
Entre os problemas ambientais, as mudanças climáticas ficaram em primeiro lugar, citadas por 35%. A gestão de resíduos e lixo veio depois, com 21%, seguida pela qualidade do ar e pela poluição, com 15%.
A pesquisa ouviu 1.800 brasileiros com 18 anos ou mais, em todo o país, entre os dias 17 e 20 de agosto. O questionário foi aplicado pela internet e teve 32 perguntas.
Avaliação dos presidenciáveis
O Observatório do Clima analisou os seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas a partir de 28 pontos da agenda socioambiental, organizados em 8 áreas. Foram considerados os programas registrados no TSE e a atuação política de cada candidato.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o único apontado como autor de propostas robustas. Seu programa reúne 28 itens da agenda socioambiental e 16 compromissos positivos e detalhados. Também é o único, entre os avaliados, a mencionar o cumprimento da meta climática brasileira (NDC) e o Acordo de Paris.
Flávio Bolsonaro (PL), segundo colocado nas pesquisas, apresenta um compromisso positivo, enquanto sete propostas foram classificadas pelo OC como ameaças ao meio ambiente. A análise descreve o programa como negacionista. Flávio já afirmou que atribuir as enchentes no Rio Grande do Sul às mudanças climáticas seria uma armadilha.
Augusto Cury (Avante) reconhece as mudanças climáticas, mas não apresenta, segundo o observatório, uma política estruturada para enfrentá-las. Renan Santos (Missão) não menciona a agenda climática. Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, reconhece a relação entre mudanças climáticas, eventos extremos e perdas agrícolas. Ele propõe adaptação e prevenção de desastres, mas não detalha os meios para implementar ações de monitoramento e resposta.
Para Marcio Astrini, secretário executivo do OC, parte dos candidatos ignora o tema em seus planos ou nega a existência das mudanças climáticas.
A coordenadora de Políticas Públicas do observatório, Suely Araújo, afirmou que a preocupação identificada nas pesquisas precisa se transformar em votos para candidatos que incorporem a agenda ambiental em sua atuação. Uma das ferramentas citadas é a plataforma Vote pelo Clima, promovida pelo Instituto Clima de Política com apoio de mais de 60 organizações.









