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Pernambuco alterna grupos políticos, reeleições e duas disputas decididas no 2º turno

Desde 1982, o estado teve sete governadores eleitos, três reeleições e apenas duas eleições estaduais definidas em segundo turno.

Pernambuco alterna grupos políticos, reeleições e duas disputas decididas no 2º turno
Foto: Yacy Ribeiro/Divulgação

Desde o retorno das eleições diretas para governador, em 1982, Pernambuco alterna ciclos de continuidade e mudanças entre grupos políticos. Nesse período, o estado elegeu sete governadores, registrou três reeleições e teve duas disputas decididas no 2º turno, em 2006 e 2022, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em 44 anos de eleições diretas, homens foram escolhidos em dez ocasiões e uma mulher chegou ao governo. A primeira governadora eleita foi Raquel Lyra, em 2022. Naquele ano, ela também disputou o 2º turno contra Marília Arraes, em uma eleição inédita no estado e no país por reunir duas mulheres na fase final de uma disputa estadual.

Oposição e situação

Na comparação entre governo e oposição, candidatos oposicionistas venceram seis eleições, contra cinco vitórias de nomes apoiados pela administração estadual ou que buscavam a reeleição. Miguel Arraes foi o único governador eleito diretamente que tentou renovar o mandato e não conseguiu: perdeu em 1998 para Jarbas Vasconcelos.

Jarbas Vasconcelos, Eduardo Campos e Paulo Câmara foram reeleitos, todos no 1º turno. Em 2006, Mendonça Filho assumiu o governo após a renúncia de Jarbas Vasconcelos, que deixou o cargo para disputar o Senado. Mendonça Filho tentou permanecer no posto, mas foi derrotado por Eduardo Campos no 2º turno.

O historiador Filipe Domingues avalia que as disputas pernambucanas não se organizam apenas pelo confronto entre esquerda e direita. Para ele, famílias e grupos políticos se estruturam de maneira competitiva a cada eleição, enquanto as alianças formadas antes da votação ajudam a explicar a baixa frequência do segundo turno.

“A raridade do segundo turno, portanto, não significa pouca competição política em Pernambuco”, afirma Domingues.

Famílias e sucessão política

A influência de famílias políticas continua presente na disputa pelo governo a partir de 2027. Raquel Lyra é filha do ex-governador João Lyra Neto, e João Campos, ex-prefeito do Recife, é filho do ex-governador Eduardo Campos. Os dois aparecem como líderes nas pesquisas mencionadas no levantamento.

As famílias também foram atingidas por tragédias. Eduardo Campos morreu em um acidente aéreo em 2014, poucos meses depois de renunciar ao governo de Pernambuco para disputar a Presidência da República. Domingues afirma que acontecimentos desse tipo podem alterar o ambiente de uma campanha, mas não devem ser usados isoladamente para explicar o resultado das urnas.

Da ditadura ao voto direto

A história eleitoral recente do estado foi antecedida por uma fase de competição política entre 1945 e 1964. Nesse período, Recife ganhou peso político, o movimento sindical se fortaleceu e trabalhadores urbanos e rurais ampliaram sua participação na vida pública.

Miguel Arraes foi eleito governador em 1962, derrotando o usineiro João Cleofas. Menos de dois anos depois, foi deposto pelo golpe militar de 1964, preso e enviado ao exílio na Argélia durante 14 anos. Retornou a Pernambuco em 1979, após a Lei da Anistia.

Durante a ditadura militar, os governadores eram escolhidos indiretamente pela Assembleia Legislativa de Pernambuco. Os eleitores votavam para deputado estadual, deputado federal e senador. Mesmo nesse período, Marcos Freire, do PMDB, foi eleito senador em 1974 em uma votação considerada uma derrota eleitoral para os militares.

O voto direto para governador foi restabelecido pela Emenda Constitucional n.º 15, de 1980. Na primeira eleição após a retomada, em 1982, Roberto Magalhães venceu a disputa pelo governo, enquanto Marco Maciel conquistou uma vaga no Senado.

A partir de 1986, Miguel Arraes voltou ao governo com 60,91% dos votos. Em 1990, Joaquim Francisco venceu no 1º turno, superando Jarbas Vasconcelos. Arraes retornou ao cargo em 1994, também no 1º turno, antes de ser derrotado por Jarbas em 1998.

Jarbas venceu novamente em 2002 e se tornou o primeiro governador reeleito da história de Pernambuco. Em 2006, Eduardo Campos superou Mendonça Filho no segundo turno e iniciou um ciclo político que continuou com sua reeleição em 2010. Após sua morte, Paulo Câmara foi eleito em 2014 e reeleito em 2018.

Em 2022, Raquel Lyra derrotou Marília Arraes no segundo turno e se tornou a primeira mulher a governar Pernambuco. Na mesma eleição, Teresa Leitão foi eleita a primeira senadora do estado.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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