Osasco, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Osasco 15°C 15° / 26° Mega-Sena 3062: 5 · 9 · 11 · 17 · 18 · 38
A economia que move o interior
Política

Contrato de R$ 427 milhões ligava escritório a precatórios de Vorcaro

Arquivo da Polícia Federal mostra honorários condicionados ao êxito em ações que poderiam liberar R$ 8,5 bilhões ao ex-banqueiro.

R$ 427 milhões: o contrato da “Turma do KN” para destravar precatórios de Vorcaro
Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Um contrato de advocacia previa honorários de R$ 427 milhões, em caso de êxito, para o escritório da advogada Camilla Ramos em ações relacionadas a precatórios de interesse de Daniel Vorcaro. Os processos poderiam liberar R$ 8,5 bilhões ao ex-banqueiro e envolviam créditos ligados a usinas de cana-de-açúcar.

O contrato e mensagens sobre o caso estão em um HD enviado pela Polícia Federal ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do Caso Master, em julho. Os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes pediram acesso à íntegra do material na última semana. Mendonça nega que tenha direcionado a análise para menções ao ministro Alexandre de Moraes.

As conversas mostram que assessores de Vorcaro usavam a expressão “turma do KN” para se referir ao desembargador Newton Ramos e à mulher dele, Camilla Ramos. Nas mensagens, Newton aparece repassando pedidos atribuídos ao ministro Kassio Nunes Marques, incluindo hospedagem no hotel Fasano, e atualizando Vorcaro sobre os precatórios.

Honorários e ações sobre o setor sucroalcooleiro

O acordo previa pagamento de 5% líquidos sobre o valor recebido pelo banco em 12 processos. Pelo valor de face das causas, a remuneração chegaria a 427 milhões de reais se houvesse resultado favorável. Os processos discutiam indenizações relacionadas ao controle de preços do antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). O Banco Master aparecia como credor ou cessionário dos créditos.

O contrato abrangia ações nas instâncias inferiores, recursos e incidentes. O pagamento deveria ocorrer até cinco dias depois da obtenção dos valores. O documento também permitia que o escritório recebesse diretamente da União a parte correspondente aos honorários e inscrevesse precatórios em nome próprio.

Em um julgamento citado nas mensagens, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e Edson Fachin votaram pelo reconhecimento do débito. Gilmar Mendes e André Mendonça ficaram vencidos. Nunes Marques havia registrado impedimento, mas depois pediu a retificação e participou da votação. Toffoli também mudou de posição em relação ao julgamento anterior.

Camilla Ramos comemorou o voto de Nunes Marques em mensagem a Vorcaro. Em outra conversa, ela marcou uma reunião entre o marido e o ex-banqueiro para tratar dos precatórios. Newton utilizava mensagens de visualização única quando abordava esse assunto com Vorcaro.

Hospedagens e viagens

As mensagens também registram pedidos de hospedagem no Fasano, acesso a eventos no Rosewood, entradas para a Fórmula 1, viagens de avião e camarote na Sapucaí. Em uma delas, um auxiliar de Vorcaro informa que Newton havia solicitado uma reserva no Fasano para “KN”. Depois, uma assessora identifica o destinatário como o ministro Kassio Nunes Marques e pede autorização para uma diária. Vorcaro responde que a despesa poderia ser colocada em sua conta.

Durante o Carnaval de 2025, uma mansão no Joá, no Rio de Janeiro, foi reservada para receber o ministro, identificado como “KN” nas conversas. O imóvel foi alugado por R$ 1,45 milhão durante uma semana. As mensagens também citam bebidas, passeios de helicóptero, camarotes e uma feijoada para cerca de 40 convidados.

Há ainda registros de ajuda na organização de uma viagem de 10 dias para cinco pessoas e de deslocamento em jato particular para o aniversário de Camilla Ramos em Maceió.

Respostas

Newton Ramos afirmou: “nunca julguei qualquer causa de interesse do Banco Master”. Ele disse que Camilla atua em causas cíveis para o banco, que mantinha relação pessoal com Vorcaro antes da investigação e que pedidos de imóveis e transportes foram tratados em situação privada, sem vínculo com funções públicas.

A defesa de Kassio Nunes Marques afirmou que o ministro nunca votou a favor de Vorcaro ou do Banco Master, não trocou mensagens com o banqueiro e não pediu nada a ele. Também declarou que Nunes Marques participou do julgamento por entender que não estava impedido, pois a discussão tratava de uma tese ampla aplicável a diversas empresas e não de uma ação específica do Master.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5