O jornalista Carlos Alberto “Beto” Almeida afirmou que a comunicação popular tem papel central nas eleições e criticou o desequilíbrio entre os diferentes tipos de mídia no Brasil. Para ele, a cobertura eleitoral deixou em segundo plano propostas ligadas aos trabalhadores e à política nacional.
Formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), Almeida participou da fundação da Televisión del Sur (TeleSUR) e integra a direção da emissora, onde apresenta o programa “Latitud Brasil”. Sua atuação também inclui a comunicação popular e o debate sobre a integração latino-americana.
Críticas à cobertura eleitoral
Na avaliação do jornalista, as candidaturas apoiadas por grandes grupos econômicos têm mais espaço para defender políticas neoliberais. Ele também disse que o presidente Lula não dispõe de um órgão capaz de democratizar suas informações. A propaganda eleitoral obrigatória do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo Almeida, reduz parcialmente essa diferença, mas não a elimina.
“Fora da propaganda obrigatória oficial, os magnatas impõem a sua verdade”, declarou. Ele citou a TV Globo e outras emissoras ao falar do que considera uma prática de tirania midiática contra as teses que interessam aos trabalhadores.
Almeida também associou a cobertura da campanha à crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação dele, a atenção dedicada ao conflito afastou a discussão de temas como reforma agrária, reestatização da Eletrobras, permanência do Brasil nos Brics e integração latino-americana.
O jornalista afirmou ainda que o presidente Lula elevou o valor do Bolsa Família e proibiu as bets. Ele classificou os jogos como prejudiciais à classe trabalhadora e à saúde pública mental no Brasil.
América Latina e soberania
Ao comentar o avanço da extrema direita na América Latina, Almeida citou a Colômbia e afirmou que manipulações eleitorais podem ocorrer no Brasil. Ele mencionou a atuação de Gustavo Petro, presidente colombiano, em apoio à candidatura de Iván Cepeda, que perdeu a eleição presidencial.
O jornalista também criticou um contrato firmado pelo TSE com a Starlink, empresa ligada a Elon Musk. Segundo ele, a companhia teria vínculo com o Pentágono e faria coleta de dados em áreas remotas. Almeida relacionou esse ponto a regiões onde, conforme sua declaração, o presidente Lula teria obtido 100% dos votos.
Para o jornalista, o Brasil deve preservar a soberania informativa, cultural e econômica e continuar integrado aos Brics e à Celac. Ele defendeu ainda a reintegração latino-americana e a manutenção e revitalização da Unasul e do Mercosul.
Almeida disse que o Brasil tem peso decisivo na América Latina por ser a economia mais desenvolvida da região, na avaliação dele. Também afirmou que o país deve participar da construção de outra arquitetura internacional por meio dos Brics, sem submissão aos Estados Unidos. Nesse contexto, citou o candidato Flávio Bolsonaro.








