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Violência política atinge municípios e deixa poucos casos com punição

Levantamento registra 354 episódios no período pré-eleitoral; só nove resultaram em punição efetiva dos autores.

Violência política atinge municípios e deixa poucos casos com punição

Apenas nove dos 354 episódios de violência política registrados no período analisado resultaram em punição efetiva dos autores, aponta levantamento da Terra de Direitos e da Justiça Global. Outros 46 casos tinham apuração judicial ou policial em curso, enquanto 300 haviam recebido denúncia formal ou pública.

Os dados abrangem o intervalo entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026, que teve, em média, um episódio a cada 44 horas. As entidades classificam o período como o mais grave da década no cenário pré-eleitoral. Em 2025, ano sem eleições, foram contabilizados 225 casos.

A violência se concentrou principalmente na política municipal. Vereadores e prefeitos foram alvo de pelo menos 63% das ocorrências, e vereadores e vereadoras responderam por 49,6% das vítimas, com 176 episódios. Ao menos 24 dos 28 casos com intenção de matar ocorreram contra políticos que atuam nos municípios. Entre eles estão 10 dos 11 assassinatos e 14 dos 17 atentados registrados.

A diretora executiva da Justiça Global, Glaucia Marinho, afirmou que grupos criminosos e policiais aparecem entre os responsáveis pelos atos e que o cenário ameaça o funcionamento das instituições democráticas.

Mulheres e grupos raciais

Mulheres foram vítimas de 50,6% dos episódios, embora ocupem cerca de 18% das cadeiras legislativas do país, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A violência simbólica, formada por ameaças e ofensas, atingiu mais mulheres, que foram alvo em 58,3% dos casos. Já a violência física teve homens como vítimas em 77,2% das ocorrências.

As 31 ameaças de violência sexual e os 67 episódios com conteúdo de conotação sexual ou comentários sobre corpo e aparência tiveram mulheres como alvo. Entre as vítimas femininas, 64 eram pretas, de um total de 179 mulheres atingidas. Dos 84 episódios contra pessoas pretas, 64 tiveram mulheres como vítimas, incluindo 11 mulheres trans ou travestis.

A coordenadora de incidência política da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, defendeu a aplicação das sanções previstas na Lei 14.192, aprovada em 2021. Para a pesquisadora Franciele Petry, a repetição dos ataques pode intimidar novas candidaturas e limitar a participação de mulheres, pessoas negras, transexuais e pessoas LGBTQIAP+.

O levantamento está na quarta edição. Em 64 episódios, o agressor também tinha mandato eletivo ou cargo público. Policiais e outros agentes estatais foram apontados como agressores em 29,9% dos casos, e 52 ocorrências aconteceram dentro do próprio local de trabalho parlamentar.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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