O candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, defendeu a adoção de mandatos de oito anos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que a fragilidade da Câmara dos Deputados e do Senado permite que a Corte avance sobre funções do Legislativo.
Em entrevista ao Flow Podcast, Cury disse que, se for eleito, pretende procurar o Congresso já na primeira semana de governo para discutir o fim da permanência vitalícia dos ministros no Supremo. Pela proposta, os integrantes deixariam definitivamente o tribunal após oito anos.
“Infelizmente, até pela falha do Congresso, tanto a Câmara dos Deputados como o Senado são muito frágeis”, afirmou. Na avaliação do candidato, a falta de atuação adequada do Legislativo abre espaço para que o STF “até legisle”.
Cury declarou que a mudança permitiria uma renovação no tribunal e diminuiria a exposição da Corte. Para ele, o Supremo deve manter uma atuação discreta. O candidato também defendeu que ministros suspeitos de irregularidades sejam investigados e julgados até o fim, sem distinção relacionada ao campo político.
Conflito entre os Poderes
Durante a entrevista, Cury criticou o ambiente político de Brasília, definido por ele como um “manicômio global”, embora tenha mencionado a existência de exceções. Ele associou o cenário a projetos individuais, interesses partidários e disputas em que grupos e famílias se sobrepõem aos interesses do país.
Questionado sobre a relação entre os Poderes, o candidato afirmou que buscaria formar um pacto com o Congresso e o STF. A proposta incluiria uma conversa com lideranças partidárias e ministros da Corte, entre eles o presidente do Supremo, Edson Fachin.
Segundo Cury, o objetivo seria tentar pacificar o país e diminuir o que classificou como uma disputa irracional entre os Poderes. Ele resumiu o ambiente político como doente, fragmentado e fragilizado.








