LONDRES — Deputados e senadores da oposição passaram a defender a saída de Paulo Gonet do cargo de procurador-geral da República depois da circulação de uma foto em que ele aparece com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante uma degustação de charutos em Londres.
A imagem foi enviada em 19 de junho de 2025 pelo advogado Ciro Soares, que intermediava conversas entre Gonet e o banqueiro. Na mensagem enviada logo depois, Soares escreveu: “PG mandou agora”. Em nota, o advogado afirmou que o registro foi feito em um evento de 2024, quando ainda não havia investigação sobre Vorcaro, e disse: “Não há qualquer irregularidade na foto”.
Acusações feitas por parlamentares
O deputado federal Marcel van Hattem, candidato do Novo ao Senado pelo Rio Grande do Sul, acusou Gonet de ter mentido durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal realizada na terça-feira, 15. Para ele, a fotografia contradiz a afirmação de que não havia proximidade entre o procurador-geral e Vorcaro. Van Hattem defendeu que Gonet seja investigado e deixe a Procuradoria-Geral da República.
O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, também afirmou que Gonet apresentou uma versão falsa sobre a relação com o empresário. Viana disse que havia protocolado, 17 dias antes, um pedido de afastamento do procurador-geral do caso envolvendo o Banco Master e criticou o silêncio do Senado.
Jorge Seif (PL-SC), ex-secretário da Pesca no governo de Jair Bolsonaro (PL), defendeu a renúncia de Gonet. O senador afirmou que havia protocolado um pedido de impeachment e declarou que o procurador-geral não teria condições de continuar no cargo.
Versões sobre o encontro
Na sessão do Supremo, Gonet disse que não teve proximidade com o dono do Banco Master e que esteve com ele em abril de 2024, em uma ocasião com outras autoridades. A assessoria do procurador-geral confirmou o encontro e mencionou que o ministro André Mendonça afirmou, durante sessão da Corte, não ter identificado ilícito envolvendo Gonet. Mendonça havia feito referência a encontros sociais ligados ao procurador-geral.
O deputado Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, declarou que a foto reforça a percepção de que dinheiro e influência facilitam o acesso a autoridades. Carlos Portinho (PL-RJ), líder do PL no Senado, disse que ocupantes de cargos públicos devem manter distância e criticou a aproximação de Gonet com investigados e clientes.








