RECIFE — As coligações de Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) trocaram acusações após uma confusão durante um ato de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), realizado na quarta-feira (16), no Centro do Recife. Um homem ficou ferido depois que um policial civil disparou uma arma de fogo durante o evento.
O tumulto ocorreu no cruzamento da Rua do Sol com a Avenida Guararapes, no bairro de Santo Antônio. Alexsandro Pereira da Silva, técnico em telecomunicações, foi atingido durante a intervenção do comissário da Polícia Civil. A campanha de Raquel Lyra afirma que ele sofreu ferimentos provocados por estilhaços de um tiro de contenção. No Boletim de Ocorrência, Alexsandro declarou ter sido baleado.
Acusações sobre militantes
O advogado da coligação Pernambuco de Coração, Edgar Moury Neto, afirmou que Alexsandro seria líder de um grupo de militantes falsos, contratados pelo PSB para participar do ato como apoiadores de Raquel Lyra. Segundo ele, o grupo teria iniciado a confusão ao tentar roubar bandeiras e materiais de campanha.
A coligação declarou que Alexsandro é marido da conselheira tutelar do Recife Joselma Almeida, apontada como liderança eleitoral do vereador licenciado e secretário de Esportes do Recife, Eduardo Mota (PSB). O grupo também afirmou que Alexsandro é filho do coordenador político da campanha de João Campos e tem ligação com comissionados e terceirizados da Secretaria de Esportes do Recife.
Edgar Moury Neto disse ainda que duas ocorrências foram registradas por supostos furtos de materiais de campanha. De acordo com o advogado, as pessoas envolvidas não pertenciam à militância de Raquel Lyra e teriam sido levadas ao local em ônibus sem vínculo com a campanha. A campanha informou que Alexsandro foi levado à Polícia Federal e liberado na madrugada desta quinta após prestar esclarecimentos.
Frente Popular pede investigação
A Frente Popular de Pernambuco informou que apresentou uma notícia de fato ao Ministério Público Eleitoral para investigar a relação entre o policial civil Uberdan de Menezes Matos Júnior e a empresa Rede de Negócios e Produção de Eventos LTDA, contratada por R$ 2,5 milhões para fazer a gestão da militância da governadora.
Segundo a coligação de João Campos, Uberdan era sócio-administrador da empresa. A Receita Federal registra Sandra Nazaré Chagas do Amaral como única sócia-administradora, e a campanha afirma que ela é mãe do policial. A nota diz que os pagamentos ocorreram em 28 de agosto de 2026, quando Uberdan ainda ocupava a função. Cinco dias depois, Sandra passou a administrar a empresa.
A Frente Popular pediu documentos sobre as alterações societárias e a prestação dos serviços. Também apontou possível divergência na prestação de contas: a campanha de Raquel Lyra havia declarado R$ 11,8 milhões em receitas e nenhum gasto no dia 8 de setembro. No dia 17 do mesmo mês, apareciam R$ 7,63 milhões em despesas, com a empresa de Uberdan como fornecedora de R$ 2,5 milhões.
A coligação afirmou ainda que a empresa estava com situação cadastral inapta quando foi contratada e citou a Lei Federal 8.112/1990 sobre a administração de empresas por servidores públicos.
A Polícia Federal informou que instaurou procedimento policial para apurar uma ocorrência relacionada à possível prática de crime eleitoral envolvendo propaganda eleitoral. A investigação deverá examinar as acusações apresentadas pelas duas coligações.







