SÃO PAULO — Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirmou à Polícia Federal que as doações de R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas e de R$ 3 milhões a Jair Bolsonaro, em 2022, estavam ligadas a uma negociação de propina. As informações fazem parte de uma proposta de delação apresentada por Vorcaro, posteriormente rejeitada pela PF e pela Procuradoria Geral da República (PGR).
Os repasses foram registrados em nome de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na operação Compliance Zero. Na proposta, o ex-banqueiro classificou os valores como contrapartidas financeiras relacionadas a um suposto acordo com Gilberto Kassab para manter o Credcesta no governo de Tarcísio.
Vorcaro também relatou o pagamento de outros R$ 10 milhões em espécie a pessoas que, segundo ele, seriam intermediárias de Kassab. A informação recebida pelo ex-banqueiro era de que o dinheiro seria destinado a campanhas do PSD, partido presidido por Kassab. De acordo com o relato, Augusto Lima teria atuado como interlocutor, mas não faria as doações por ter ligação com o PT.
O interesse do Banco Master, ainda conforme a proposta, seria preservar contratos de crédito consignado com o governo de São Paulo. Vorcaro afirmou que Kassab teria exigido a manutenção de um percentual de 5% dos resultados líquidos da operação, além de contribuições para campanhas do PSD e de outras siglas apoiadas por ele.
Respostas
Tarcísio negou ter vínculo com o doador citado e disse que não tinha conhecimento prévio de eventuais condutas relacionadas à campanha. O governador afirmou que a prestação de contas foi apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral.
Sobre a PKL One Participações S.A., responsável pelo cartão Credcesta, Tarcísio declarou que o credenciamento como consignatária ocorreu em maio de 2022, durante a gestão anterior, e que as operações foram suspensas em 19/02/2026, após a liquidação extrajudicial das instituições. Segundo ele, o credenciamento é uma habilitação para operações consignadas e não representa contrato com o Estado nem repasse de recursos públicos.
Kassab classificou o relato como fantasioso. Ele negou ter tratado de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro, disse que nunca conversou com Vorcaro e afirmou não ter recebido valores em espécie nem participado de doações feitas por Vorcaro, Lima ou Thiago Botelho.
Jair Bolsonaro foi procurado e ainda não havia respondido. O espaço permanece aberto.








