Osasco, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Osasco 20°C 16° / 25° Mega-Sena 3060: 6 · 15 · 23 · 36 · 37 · 38
A economia que move o interior
Economia

Riscos climáticos ignorados podem comprometer decisões das empresas de alimentos

Estudo aponta falhas em modelos usados pelo setor e mostra distância entre o financiamento privado disponível e os investimentos em resiliência.

Riscos climáticos ignorados podem comprometer decisões das empresas de alimentos

Modelos usados por empresas de alimentos para avaliar riscos climáticos não capturam uma parte relevante dos eventos que podem afetar a produção agrícola e o abastecimento. A análise foi feita pela Food and Land Use Coalition (FOLU), em colaboração com a Systemiq e o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), com foco em ferramentas aplicadas a culturas oleaginosas, como a soja.

Entre os eventos pouco ou nada considerados estão incêndios florestais, tempestades, ciclones, tornados, pragas e doenças. Secas e ondas de calor aparecem apenas de forma parcial. Os modelos também deixam de contabilizar degradação do solo, granizo, inundação costeira, redução da qualidade da água e elevação do nível do mar.

Riscos simultâneos e produção agrícola

O estudo afirma que as ferramentas costumam tratar os eventos climáticos como ocorrências isoladas. A avaliação, porém, considera que as mudanças climáticas elevam a possibilidade de diferentes regiões serem atingidas ao mesmo tempo. Com menos alternativas para substituir fornecedores ou trocar uma cultura por outra, uma quebra de produção pode afetar a capacidade de abastecimento das empresas.

No Brasil, o relatório cita a seca de 2021/22 no Rio Grande do Sul, que reduziu a produção de soja em mais da metade. Também menciona os incêndios registrados em 2024 e uma estimativa do Estado de Goiás segundo a qual as perdas de produção chegaram a R$ 181,71 milhões.

“Incêndios estão se alastrando, rios estão secando e colheitas estão falhando”, afirma Elinor Newman-Beckett, autora do relatório e diretora de Conhecimento Global e Engajamento da FOLU.

Investimentos e resiliência

Para a FOLU, a falta de dados completos interfere nas decisões de investimento. Gastos antecipados com solos mais saudáveis, sistemas de água e métodos agrícolas mais resilientes podem ser tratados como despesas opcionais de sustentabilidade, em vez de medidas de proteção contra perdas futuras.

O levantamento relata que fornecedores apoiados na implementação de práticas regenerativas conseguiram manter a produção durante uma seca na Espanha, em 2022, enquanto concorrentes não obtiveram o produto. O estudo afirma que o retorno econômico foi direto, mas não poderia ser calculado pelas ferramentas atuais de risco e retorno.

A capacidade de recursos que o setor privado poderia oferecer aos sistemas alimentares é estimada pela Newman-Beckett em US$ 630 bilhões por ano. Atualmente, cerca de US$ 19 bilhões são destinados a investimentos em resiliência climática, enquanto a necessidade anual chega a US$ 1,1 trilhão.

Victoria Crawford, diretora de Agricultura e Alimentos do WBCSD, afirma que uma avaliação mais adequada ajudaria as empresas a identificar o valor sob risco, evitar custos inesperados e proteger a continuidade dos negócios, a competitividade e o valor de longo prazo.

A próxima análise prevista será dedicada ao corredor de soja Brasil-China, com lançamento previsto para janeiro de 2027. O relatório deverá estimar parcialmente as perdas que poderiam ser evitadas e o retorno dos investimentos em resiliência, além de avaliar quem está mais bem posicionado para investir e como os retornos podem ser capturados e compartilhados.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5