A alta de 2,9% do petróleo Brent ajudou as ações da Petrobras a conduzir o Ibovespa ao avanço de 0,54% nesta terça-feira (15), aos 186.502,64 pontos. O índice interrompeu uma sequência de duas quedas, oscilou entre 187.650,53 pontos e 185.055,57 pontos e movimentou R$22 bilhões.
O Brent terminou cotado a US$108,75. A valorização ocorreu em meio a notícias de suspensão de carregamentos no porto de Yanbu, na Arábia Saudita, no Mar Vermelho, e de interrupção de operações em três campos na Líbia.
STF concentra atenções do mercado
Além do movimento das commodities, investidores acompanharam uma audiência no Supremo Tribunal Federal sobre uma petição relacionada a mensagens trocadas pelo ministro Alexandre de Moraes e pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A análise envolveu relatório divulgado pelo ministro André Mendonça. Vorcaro está preso, acusado de fraudes financeiras e outros crimes. Durante a sessão, os ministros votaram pela unificação dos casos relacionados a Moraes e Mendonça e pela designação de um novo relator.
A petição que envolve Mendonça estava prevista para ser analisada no dia 23. O caso trata da alegação de Moraes de que o colega teria cometido abuso de poder e crime de responsabilidade no caso Master.
William Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, afirmou que a alta da Petrobras, acompanhando o petróleo no exterior, foi o principal fator de sustentação do índice. Para Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, o julgamento elevou a incerteza política e a volatilidade.
Juros e desempenho das ações
A expectativa também se voltou para as decisões de juros previstas para quarta-feira nos Estados Unidos e no Brasil. Economistas estimam corte da Selic para 13,75% ao ano e aguardam sinais sobre os próximos passos do Copom.
Em Nova York, o S&P 500 recuou 0,45%. A sessão foi marcada pela alta dos rendimentos dos Treasuries e por preocupações relacionadas à inteligência artificial antes da decisão de política monetária nos Estados Unidos.
Na B3, PETROBRAS PN subiu 3,09% e PETROBRAS ON avançou 3,63%. PRIO ON ganhou 2,77%, enquanto BRAVA ENERGIA ON valorizou-se 0,9%. PETRORECONCAVO ON terminou estável.
ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,76%. BRADESCO PN caiu 0,71%, SANTANDER BRASIL UNIT recuou 0,99%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 0,36% e BTG PACTUAL UNIT baixou 0,46%.
VALE ON cedeu 1,17%. Entre as empresas de mineração e siderurgia, GERDAU PN avançou 3,15% e USIMINAS PNA ganhou 3,27%. CSN ON caiu 2,2% e CSN MINERAÇÃO ON recuou 0,96%.
AZZAS 2154 ON teve queda de 2,98% e fechou a R$15,30. A ação chegou a R$18,28 na máxima intradia do mês, no dia 8, e ainda acumulava valorização de quase 3% em setembro.
Fluxo estrangeiro e cenário eleitoral
Dados da B3 mostraram a primeira sessão com saldo negativo de estrangeiros no mês no último dia 11. Mesmo assim, setembro acumulava entrada líquida de R$7,3 bilhões, contra R$7,4 bilhões até o dia 10.
Pesquisa do Bank of America com gestores da América Latina mostrou que 73% dos participantes projetavam o Ibovespa acima de 180 mil pontos no fim do ano, ante 34% em agosto. Outros 46% viam possibilidade de o índice alcançar 200 mil pontos ou mais.
A pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira mostrou Luiz Inácio Lula da Silva à frente de Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno: 47,3% contra 40%. Na pesquisa anterior, Lula tinha 48% e Flávio, 39%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.
Apesar do cenário, apenas 30% dos entrevistados pelo Bank of America disseram que aumentariam a exposição a ações nos níveis atuais antes das eleições. Os demais prefeririam esperar uma correção dos preços ou uma definição maior do cenário político.








