O ministro André Mendonça retirou o sigilo da investigação sobre o pedido de R$ 134 milhões feito pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A apuração busca esclarecer se o valor seria usado para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão ocorreu após pressão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de outros ministros da Corte e da Procuradoria-Geral da República. Mendonça também retirou o sigilo de outros processos ligados ao caso Banco Master.
Ao todo, foram liberados 18 processos relacionados ao banco. Outros 20 processos e procedimentos também tiveram o sigilo retirado, totalizando 53 conjuntos de documentos que serão tornados públicos.
Críticas e documentos excluídos
A investigação contra Flávio Bolsonaro foi autorizada em julho pelo próprio Mendonça, após solicitação da Polícia Federal. Desde então, nenhuma operação foi realizada no âmbito da apuração.
Inicialmente, Mendonça havia divulgado parte dos documentos, mas manteve sob sigilo o episódio relacionado ao senador e ao filme Dark Horse. A decisão provocou críticas de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e da PGR. Moraes afirmou que 180 documentos e arquivos digitais foram excluídos do material disponibilizado aos ministros.
“O levantamento seletivo e direcionado do sigilo realizado pelo Ministro André Mendonça, na proteção ostensiva de determinado grupo político”, afirmou Moraes. Ele também disse que o relator não pode escolher quais documentos serão acessíveis ao colegiado.
Além de Flávio Bolsonaro, as investigações citam o senador Ciro Nogueira, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, o senador Jaques Wagner e o publicitário e lobista Thiago Miranda.
Pedidos para adiar julgamento
Cristiano Zanin pediu a Fachin acesso a todo o celular de Vorcaro antes do julgamento da próxima terça-feira (15). A sessão analisará relatório da Polícia Federal sobre trocas de mensagens entre Vorcaro e Moraes.
Também nesta sexta-feira (11), Gilmar Mendes solicitou a Fachin o adiamento da sessão. O julgamento decidirá se Moraes será investigado por suposta relação com Vorcaro. Mendes pediu ainda que o caso envolvendo André Mendonça, acusado de irregularidades por Moraes e que se encontrou com Vorcaro fora da agenda do STF, seja analisado junto.









