A MBRF iniciou a seleção de bancos para a abertura de capital da Sadia Halal, prevista para meados de 2027, e mantém os planos de ampliar sua produção no Oriente Médio. A empresa foi criada pela união entre BRF e Marfrig, concluída há cerca de um ano, e teve receita próxima de R$ 152 bilhões no período.
A operação envolve a Sadia Halal e a HPDC, subsidiária do fundo soberano saudita PIF. A MBRF também conversa com o órgão regulador saudita sobre questões técnicas do IPO. Com a listagem das ações na bolsa de Riad, a companhia espera ampliar a base de investidores. José Ignácio Scoseria Rey, vice-presidente de Finanças, Relações com Investidores, Gestão e Tecnologia, afirmou que a empresa hoje é avaliada em 6 vezes seu valor da empresa sobre o lucro (EV/Ebitda), mas poderia alcançar entre 10 e 11 vezes.
Produção e vendas no Oriente Médio
A MBRF acrescentará neste ano cerca de 55 mil toneladas de capacidade produtiva na região. Desse total, 15 mil toneladas serão instaladas em Kezad, nos Emirados Árabes, e 40 mil toneladas na nova fábrica de Jeddah, na Arábia Saudita.
A companhia atua no Oriente Médio desde a década de 1970, ainda sob a marca Sadia. O conflito na região afetou as operações, com insegurança em rotas logísticas tradicionais e aumento do custo do petróleo. Para manter o abastecimento, a MBRF recorreu a rotas alternativas e utilizou estoques locais. O acordo de fornecimento com o fundo saudita Salic também contribuiu para as vendas e os resultados.
Miguel Gularte, diretor presidente da companhia, disse que a empresa passou a manter estoques nos destinos a partir de 2024, depois de casos de Doença de Newcastle e gripe aviária no Brasil afetarem exportações. A estratégia garantiu o suprimento neste ano. Desde o fim de 2024, a MBRF também observava aumento no consumo e nos preços de carnes na região. A expectativa é de que até 2027 mais 23 milhões de pessoas se juntem à população do Oriente Médio.
“Fomos testados nas nossas escolhas”, afirmou Gularte. Segundo ele, a queda do turismo foi compensada pelo consumo local e pelo espaço deixado por empresas que optaram por não permanecer na região.
Sinergias e expansão comercial
A MBRF registrou R$ 285 milhões em sinergias no primeiro semestre, diante de R$ 608 milhões previstos para 2026. O objetivo de alcançar R$ 1 bilhão, que estava projetado para 2028, pode ser atingido antes do prazo e ainda superado, conforme Gularte.
No segundo trimestre deste ano, a empresa concluiu a integração das equipes comerciais de Marfrig e BRF no mercado brasileiro. A mudança permite oferecer produtos de uma companhia à carteira de clientes da outra. No Estado de São Paulo, a BRF tem presença em frango e suíno e busca ampliar sua atuação em carne bovina.
A MBRF informou que a rede comercial da Marfrig na Europa e nos Estados Unidos permanece concentrada em carne bovina. A empresa começou a exportar carne suína para os EUA no ano passado. Já os embarques brasileiros de frango para a União Europeia estão suspensos por controles relacionados a antimicrobianos no Brasil, embora o setor considere retomar os negócios neste ano.
Operações na China e dívida
Na China, a fábrica adquirida no fim de 2024 na província de Henan opera com 80% da capacidade e deve atingir 100% ainda neste ano. A unidade será ampliada gradualmente, enquanto a MBRF acompanha a política chinesa de reduzir a dependência externa de alimentos.
A companhia também trabalha para diminuir a dívida, que somava R$ 45 bilhões ao fim do segundo trimestre deste ano. Scoseria afirmou que começaram conversas com investidores para uma possível emissão internacional de títulos entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão. Os recursos poderão ser usados na recompra de papéis com vencimento em 2029 e no pagamento de dívidas de curto prazo.








