BELO HORIZONTE — A valorização do algodão elevou de 25% para 35% a margem agrícola do produtor, mesmo com a alta dos preços de fertilizantes e defensivos químicos. A estimativa é de Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Para Queiroz, a melhora nas margens tende a favorecer o humor no setor, mas não elimina a necessidade de cautela. O banco prevê produção de 4,2 milhões de toneladas de pluma na safra 2026/27, abaixo das 4,4 milhões de toneladas registradas na temporada anterior.
A área plantada deve crescer 7% no ciclo 2026/27. Segundo Queiroz, porém, uma expansão do plantio não garante aumento da colheita, devido à previsão de um super El Niño. “A área pode crescer, mas a produção eventualmente não, porque depende do El Niño”, afirmou.
Crédito e investimentos
Pedro Fernandes, diretor de agronegócios do Itaú BBA, avalia que a recuperação dos preços pode reabrir espaço para a tomada de crédito. A commodity está cotada acima de 80 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York.
Fernandes afirma que produtores capitalizados podem voltar a investir e retomar projetos de expansão. Para grandes grupos que enfrentaram dificuldades financeiras, a melhora também pode ajudar na recuperação das condições de financiamento, apesar das taxas de juros historicamente elevadas.
O executivo pondera que o cenário ainda não deve ser suficiente para assegurar grandes projetos de investimento e expansão. Na avaliação dele, quem preservou liquidez terá melhores condições para aproveitar a recuperação.
Perspectiva para as commodities
Aurélio Pavinato, diretor da SLC Agrícola, vê possibilidade de alta para as commodities em geral. A empresa produz algodão, soja e milho e mantém mais de 830 mil hectares plantados no país.
Pavinato afirma que o setor atravessou um ciclo de baixa em 2024, 2025 e no início de 2026, mas iniciou uma recuperação na segunda metade de 26. Ele também relaciona a demanda adicional por biocombustíveis aos efeitos da guerra no Oriente Médio e à alta do petróleo.








