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Cervejarias testam castanheira, bálsamo e cumaru na maturação de cervejas

Espécies brasileiras alteram aromas, sabores, taninos e textura de cervejas de guarda produzidas em safras diferentes.

Cervejarias testam castanheira, bálsamo e cumaru na maturação de cervejas

Madeiras brasileiras como castanheira, bálsamo, cumaru e amburana estão sendo testadas por cervejarias artesanais para criar novos perfis sensoriais em bebidas maturadas. A escolha da espécie pode alterar aromas, sabores, taninos e textura, fazendo com que a madeira tenha participação direta na formação do produto.

Durante a maturação, a cerveja permanece em contato com a madeira por meses. Nesse período, extrai compostos do recipiente, enquanto pequenas quantidades de oxigênio atravessam o material. O resultado também depende do tempo de maturação, do teor alcoólico, da receita e das condições da madeira.

A amburana pode acrescentar aromas associados a especiarias e doces. O bálsamo tende a apresentar características herbais e resinosas, com taninos perceptíveis. A castanheira pode combinar notas de frutos secos e dulçor com cervejas mais maltadas. O cumaru, por sua vez, tem contribuição mais delicada.

Projeto com safras diferentes

A Daoravida Brewpub, de Campinas (SP), utiliza esse tipo de pesquisa no Projeto Terminus. A iniciativa reúne cervejas de diferentes safras, submetidas a períodos prolongados de maturação. A proposta é partir de uma mesma receita e observar como a madeira modifica a bebida ao longo do tempo.

Até 2023, o projeto usava carvalho americano. No ano seguinte, a cervejaria passou a testar um blend de castanheira, bálsamo e cumaru, substituindo o carvalho nas safras seguintes. A Terminus de 2025 foi maturada em bálsamo; em 2026, a escolha foi a castanheira.

A safra de 2026 conquistou medalha de ouro na categoria Wood-and-Barrel-Aged Strong Beer do World Beer Cup, realizado nos Estados Unidos. A competição teve 8.166 inscrições de 1.644 cervejarias de 50 países, avaliadas às cegas por 255 jurados.

Para Wagner Falci, cervejeiro da Daoravida Brewpub, o uso de espécies nacionais permite buscar perfis diferentes dos associados ao carvalho. “A ideia é entender o que cada madeira pode fazer pela cerveja e construir uma identidade própria”, afirma.

A Terminus soma 22 medalhas em concursos brasileiros e estrangeiros, incluindo premiações no World Beer Cup, World Beer Awards, European Beer Star e Brussels Beer Challenge. Em uma competição realizada em Blumenau, a edição de 2025 recebeu prata, enquanto a de 2026 ganhou ouro na mesma categoria. A madeira usada na maturação foi um dos fatores de diferença entre as bebidas.

A produção exige mais tempo que uma receita convencional. A fabricação da Terminus pode consumir aproximadamente 30 horas de trabalho, ante cerca de quatro horas de uma receita comum da cervejaria. Depois, a bebida passa mais de um ano em maturação, chega a 15,5% de teor alcoólico e foi concebida para ser armazenada e consumida ao longo do tempo.

Guardar safras diferentes e prová-las em conjunto permite comparar os efeitos do envelhecimento e das espécies escolhidas. A experiência ainda é pontual no setor cervejeiro, mas amplia as possibilidades de uso das madeiras brasileiras na produção de bebidas.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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