Dados de inflação dos Estados Unidos deram força ao Ibovespa nesta quarta-feira (30). O índice subiu 1,37% no pregão e terminou aos 186 340,46 pontos, depois de alcançar 187 834,97 pontos na máxima intradiária. Com o resultado, acumulou alta de 5,03% em setembro, avanço de 8,32% no terceiro trimestre e ganho de 15,6% no ano.
A leitura de moderação dos preços na economia americana aumentou a expectativa de uma política monetária mais flexível, cenário que favorece ativos de risco. Setores financeiro, de consumo, imobiliário e de utilities avançaram em bloco. Entre as blue chips, apenas a Vale não acumulou alta firme no mês.
Fluxo estrangeiro volta ao campo positivo
O movimento de investidores estrangeiros oscilou ao longo do trimestre. A bolsa registrou entrada de R$ 4,3 bilhões em julho, considerando ações listadas e ofertas de papéis. Em agosto, houve saída de R$ 18,1 bilhões. Até o dia 28 de setembro, porém, o saldo voltou a ficar positivo, com ingresso de R$ 9,6 bilhões, conforme dados da B3.
João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp, atribuiu a alta do dia aos dados de inflação dos Estados Unidos, que vieram abaixo das expectativas. Para ele, o resultado reduziu a pressão por novas altas de juros pelo Federal Reserve nas próximas reuniões.
Gustavo Bertotti, head de renda variável da Fami Capital, avaliou que o cenário externo se soma às perspectivas de alternância de poder no Brasil. Segundo ele, esse ambiente levou investidores a reposicionar recursos em ativos brasileiros, especialmente ao longo de setembro.
Eleições e riscos para os ativos
Gabriel Jardim, CEO da Trade Arena, afirmou que o mercado deve acompanhar não só as pesquisas eleitorais, mas também possíveis sinais sobre a formação do próximo governo e sua agenda econômica e fiscal. Na avaliação dele, a eleição pode elevar a volatilidade de bolsa, câmbio e juros, com atenção às expectativas para 2027.
Os analistas ponderam que a valorização do Ibovespa permanece frágil diante do quadro fiscal e do ambiente macroeconômico. As empresas continuam pressionadas pelos juros elevados no Brasil e pelos riscos internacionais, incluindo a guerra entre EUA e Irã. O petróleo Brent, referência para a Petrobras, subiu quase 7% em setembro, o que favorece a companhia, mas aumenta a preocupação com a inflação global.
Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, disse que a inflação, as decisões do Banco Central e a trajetória da Selic serão decisivas para juros, dólar e Bolsa. No exterior, acrescentou, juros americanos, petróleo e geopolítica também podem pressionar os ativos brasileiros.
Adam Hetts, head global multi-asset da Janus Henderson, afirmou que a economia americana segue resiliente. O crescimento do PIB no segundo trimestre foi revisado para 2,2%, enquanto a previsão é de um resultado particularmente forte para o terceiro trimestre.







