O dólar fechou a quarta-feira (9) a R$ 5,1123, alta de 0,52%, em um dia de maior aversão ao risco no exterior e possível saída de recursos da bolsa brasileira. A moeda americana superou R$ 5,10 durante praticamente toda a tarde e atingiu R$ 5,1153 no momento de maior estresse, pouco depois das 12h.
A pressão atingiu principalmente as divisas emergentes, com destaque para as latino-americanas. O movimento ocorreu em meio à alta dos juros dos Treasuries, associada a preocupações com a inflação provocadas pelo avanço do petróleo. O Brent para novembro subiu 3,36%, a US$ 101,21 por barril, ultrapassando US$ 100 pela primeira vez desde fins de julho.
O real, que vinha entre os destaques positivos nos primeiros pregões de setembro, teve o pior desempenho entre as moedas mais líquidas. Ainda assim, o dólar acumula queda de 1,31% diante da moeda brasileira no mês, depois de avançar 2,16% em agosto.
Para Marcelo Bacelar, gestor de portfólio da Azimut Brasil Wealth Management, o ambiente externo piorou com os conflitos internacionais e houve uma “realização técnica” dos ativos domésticos após o rali associado à mudança no quadro eleitoral. Segundo ele, a expectativa de crescimento da oposição nas intenções de voto havia reduzido o prêmio de risco.
Por volta das 15h30, o governo anunciou um decreto para reduzir PIS/Cofins sobre a gasolina e zerar tributos sobre o etanol. Também foi divulgada uma Medida Provisória com previsão de redução de mais R$ 1 no litro do diesel. Em vídeo, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não vai “permitir” que uma guerra “irresponsável” prejudique o poder de compra dos brasileiros. Depois do anúncio, os juros futuros aceleraram a alta, enquanto o dólar oscilou perto de R$ 5,11.
Nicolas Gomes, especialista em câmbio da Manchester Investimento, disse que o mercado também acompanha a disputa entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), considerada por ele diretamente ligada ao cenário eleitoral. Após o fechamento do câmbio, Edson Fachin, presidente do STF, suspendeu a tramitação da ação sobre diálogos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O caso estava sob os cuidados de André Mendonça.
No exterior, o índice DXY subia 0,04% por volta das 17h, aos 98,828 pontos. A expectativa de alta dos juros no Japão favoreceu o iene e limitou o avanço do indicador. A coroa norueguesa, ligada ao petróleo, avançou cerca de 0,30%.
Bacelar avalia que a divergência entre as políticas monetárias do Brasil e dos Estados Unidos reduz o espaço para valorização do real. A expectativa é de corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic na superquarta, dia 16, levando a taxa a 13,75% ao ano, enquanto o Federal Reserve elevaria os juros em 0,25 ponto. O IPCA e o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos serão divulgados nesta sexta-feira, 11.








