A produção da agroindústria caiu 2,9% em julho de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025. O resultado acompanha a retração da indústria brasileira e foi medido pelo Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro).
Segundo o FGV Agro, o desempenho reflete os juros altos e o esgotamento do modelo de crescimento baseado no consumo das famílias. A retração ocorreu na maior parte dos segmentos, com poucas exceções.
Insumos e produtos não alimentícios
O segmento de produtos não alimentícios registrou queda conjunta de 4,5%. O principal impacto veio dos insumos agropecuários, cuja atividade recuou 20,8%. De acordo com o FGV Agro, o setor enfrenta restrições de crédito e liquidez para os produtores rurais, além de dificuldades na obtenção de insumos e custos mais altos.
A produção de produtos têxteis diminuiu 6,7% em julho. Houve queda em fibras, tecelagem, tecidos de malha, artefatos têxteis, vestuário, artigos de malha, curtimento de couro e calçados.
O recuo dos não alimentícios foi parcialmente compensado pelo avanço de biocombustíveis e fumo, com altas de 6,1% e 23,6%, respectivamente. A produção de biocombustíveis está aquecida com a maior safra de cana-de-açúcar e a entrada de novas usinas de etanol de milho.
Alimentos e bebidas
O segmento de produtos alimentícios e bebidas caiu 1,6% no mês. A produção de alimentos recuou 2,6%, enquanto a de bebidas avançou 5%.
Entre os alimentos de origem vegetal, a queda foi de 3,8%, influenciada pela menor moagem de trigo e pela redução na fabricação de açúcar refinado. A safra de cana-de-açúcar está mais direcionada à produção de etanol. Conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz e café tiveram expansão.
As indústrias de alimentos de origem animal recuaram 1,7%, com redução na produção de carne bovina e pescados. O FGV Agro avaliou que a carne bovina pode ter começado a sentir, em julho, os efeitos do preenchimento da cota chinesa de importação de 1,106 milhão de toneladas, que entrou no país sem a tarifa adicional de 55%. A China é o principal destino da carne brasileira exportada.
Na produção de bebidas, as altas foram de 6,8% entre as alcoólicas e de 3,3% entre as não alcoólicas.
Apesar da queda na comparação anual, a agroindústria cresceu 0,4% em julho ante o mês anterior, considerando os ajustes sazonais. No acumulado do ano, porém, o setor registra recuo de 0,8%.








