CARIDADE — A estátua de Santo Antônio em Caridade, no interior do Ceará, teve a pintura e os acabamentos da cabeça finalizados entre o fim de agosto e o começo de setembro. A peça havia sido instalada no corpo da imagem em dezembro de 2025, encerrando um período de 39 anos em que o monumento ficou sem a cabeça.
A próxima etapa, conforme a Prefeitura de Caridade, é terminar a pintura e os demais acabamentos do restante da estátua, que tem 19 metros e está no Morro do Serrote, onde funciona o Complexo Religioso de Santo Antônio.
Obra começou em 1984
A construção da imagem começou em 1984, durante a gestão do então prefeito Raul Linhares. O objetivo era impulsionar o turismo religioso na cidade, seguindo o exemplo de Canindé. A obra foi interrompida em 1986 por falta de recursos.
Durante quase quatro décadas, o corpo permaneceu no alto do morro, enquanto a cabeça de concreto ficou em uma rua a cerca de três quilômetros do local, em frente à casa da doméstica Antônia Cilda. A instalação da peça marcou a retomada dos trabalhos para concluir o monumento.
O projeto passou a integrar uma iniciativa do Governo do Ceará para criar um complexo religioso no Serrote do Cágado, ponto mais alto da cidade. A previsão era construir uma nova estátua em 2022. O espaço também deveria ter museu, mirante, capela, pontos comerciais, escadarias, rampas de acesso e estacionamento.
História virou livro, filme e samba-enredo
A situação do monumento inspirou o livro A Cabeça do Santo, da escritora cearense Socorro Acioli, além de uma adaptação para o cinema e de um samba-enredo da Unidos da Tijuca para o carnaval 2027.
Socorro encontrou a história em um recorte de jornal e, em menos de dois dias, desenvolveu a ideia de um homem que morava dentro da cabeça abandonada de Santo Antônio. O projeto levou a escritora a uma oficina de criação orientada por Gabriel García Márquez, realizada em Cuba no ano de 2006.
Os direitos para a adaptação cinematográfica foram vendidos à produtora Joana Mariani, que vai dirigir o filme. A primeira versão do roteiro foi escrita por Natália Maia, também roteirista de Pacarrete, longa-metragem dirigido por Allan Deberton.








