FORTALEZA — A Polícia Civil do Ceará prendeu, nesta terça-feira (8), o empresário Iago Viana Nascimento, de 34 anos, no bairro Guararapes, em Fortaleza. Ele é suspeito de atuar no núcleo empresarial do grupo liderado pelo ex-prefeito de Choró, Bebeto Queiroz, e de ajudar a manter financeiramente a organização.
A prisão ocorreu com base em um mandado expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pelos crimes de integrar organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Depois dos procedimentos policiais, Iago foi encaminhado à Justiça.
Empresário estava foragido
Iago era procurado desde outubro de 2025, quando foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Na ocasião, os agentes foram até sua residência, em um condomínio de luxo no Eusébio, às 6 horas da manhã, mas encontraram o imóvel vazio. O paradeiro dele não era conhecido desde então.
As investigações apontam que a empresa ligada ao empresário, a SFC Serviços, anteriormente chamada Colinas Construções Transportes e Serviços, fazia parte da estrutura usada pelo grupo. Entre setembro de 2022 e fevereiro de 2023, quando ainda utilizava o nome Colinas, a empresa tinha como principal atividade o transporte escolar e movimentou R$ 41 milhões.
Segundo a Polícia Federal, parte dos recursos era sacada em valores inferiores a R$ 50 mil e repassada a integrantes e beneficiários do esquema. A empresa também teria sido usada para financiar campanhas e transferir dinheiro a Bebeto e aliados.
A investigação descreve um modelo em que empresas contratadas por prefeituras do interior do Ceará desviavam recursos para o enriquecimento dos envolvidos e para campanhas eleitorais, inclusive por meio da compra de votos. Depois, essas mesmas empresas obtinham contratos em administrações municipais de aliados beneficiados pelas transferências ilegais.
Conversas obtidas pela Polícia Federal indicam que Bebeto orientava os responsáveis pelas empresas, entre eles Iago, sobre os valores que deveriam ser destinados a políticos aliados. Os operadores, então, enviavam os recursos e compartilhavam os comprovantes.
Além de Iago, são apontados como operadores centrais Carlos Douglas Almeida Leandro, cunhado do empresário e dono da Cariri Edificações, e Maurício Gomes Coelho, ligado à MK Serviços.
Situação de Bebeto Queiroz
Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto Queiroz, foi eleito prefeito de Choró pelo PSB nas eleições municipais de 2024, mas não tomou posse. Ele foi preso em novembro de 2024 por suspeita de envolvimento em fraudes relacionadas a contratos de abastecimento de veículos da prefeitura.
Bebeto deixou a prisão no início de dezembro de 2024, após o fim do prazo da prisão temporária. Poucos dias depois, porém, a Justiça expediu outro mandado contra ele por crimes diferentes. Desde então, ele está foragido.
A Justiça Eleitoral cassou, em abril de 2025, a chapa vencedora em Choró. O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) manteve a decisão em agosto do ano passado, e uma nova eleição foi realizada no município no último dia 1º de março.
Em setembro de 2026, o PSB no Ceará informou que Bebeto havia sido desfiliado. Conforme a legenda, a expulsão ocorreu em 18 de agosto deste ano, após processo nos diretórios municipal e estadual.
Um relatório da Polícia Federal de janeiro de 2026 apontou suspeitas de negociação de emendas parlamentares, fraudes em licitações municipais e financiamento ilegal de campanhas em diferentes cidades do Ceará. As investigações indicam que o grupo seria comandado por Bebeto e pelo deputado federal Júnior Mano (PSB).
Segundo o relatório, Bebeto intermediava a destinação de emendas de Júnior Mano para prefeituras alinhadas ao grupo e negociava uma porcentagem dos recursos. Essa parcela variava entre 12 e 15%.
A defesa de Júnior Mano afirmou que as conclusões eram "exageradas, genéricas e sem provas" e declarou que o parlamentar "não cometeu qualquer irregularidade".








