O avanço do nível do mar já afeta comunidades em diferentes regiões do Brasil, com relatos de marés maiores, erosão costeira e inundações. Em Santa Catarina, um tsunami meteorológico elevou abruptamente o mar e inundou três municípios. Na Ilha do Cardoso, no Sudeste, moradores deixam casas ameaçadas pela elevação da água.
Dados do programa Copernicus, da agência espacial europeia, mostram que a temperatura da superfície do mar está acima do registrado em outros anos para este período. Em 2026, a linha de temperatura se afastou das demais e permaneceu elevada ao longo dos meses. O oceano absorve a maior parte do calor da atmosfera, e o aumento dessa energia está associado à intensificação de ventos, chuvas, secas, tempestades e outros eventos extremos.
A temperatura da superfície do mar está mais alta do que em 125 mil anos. Além disso, o derretimento de áreas congeladas e a expansão térmica da água contribuem para a elevação do nível dos oceanos.
Elevação na costa amazônica
Pesquisas do Copernicus indicam que, entre 1993-2022, o nível médio global do mar subiu 3,3 mm por ano, acumulando 9,57 cm no período. A taxa de crescimento está acelerando. O aumento equivale à adição de 480 milhões de piscinas olímpicas ao volume do oceano a cada ano.
Na praia do Goiabal, em Calçoene, no Amapá, a erosão já destruiu casas e levou a maioria dos moradores a decidir deixar a região. Análises estatísticas feitas com apoio de Guilherme Couto, cientista de dados da Universidade Federal de Juiz de Fora, apontam que o mar subiu, em média, 12,4 cm em 31 anos na foz do rio Amazonas.
A duração das inundações também aumentou. A partir de 2024, todos os meses tiveram marés acima da cota de alerta na região.
O Instituto de Pesquisas do Estado (IEPA) e a Universidade Estadual do Amapá (UEAP) criaram o Observatório Popular do Mar (Omara). O projeto usa ciência cidadã para medir a erosão provocada pelo avanço do mar e a salinização de rios e fontes de água. A entrada de água salgada pode reduzir a disponibilidade de água potável e afetar manguezais, peixes e crustáceos.
Debate eleitoral
Durante a campanha presidencial, Flávio Bolsonaro, do PL, declarou em entrevista ao Jornal Nacional que as mudanças climáticas seriam resolvidas com saneamento básico. O candidato aparece empatado, dentro da margem de erro, com o presidente Lula na corrida eleitoral.
A elevação do nível do mar e os impactos do aquecimento global passaram a integrar o debate sobre as medidas de adaptação que deverão ser adotadas pelos próximos governantes. Mesmo com a interrupção das emissões de carbono, o aquecimento em curso deve elevar ainda mais o nível do mar nas próximas décadas.
Rio, Florianópolis, Belém e Fortaleza estão entre as cidades que terão de lidar com os efeitos da elevação do mar em um horizonte de 20, 30 e 50 anos. Na costa amazônica, pescadores e ribeirinhos também relatam o avanço das chamadas marés lançantes.








