A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade defendeu a criação de uma fila única e regulada no Sistema Único de Saúde (SUS) para organizar o acesso a consultas, exames e procedimentos especializados. A proposta prevê que o encaminhamento considere a necessidade clínica, o risco e a capacidade disponível na rede, e não apenas a ordem de chegada.
“Temos que garantir uma fila única, regulada, para que as pessoas tenham acesso a especialistas”, afirmou Nísia. Para ela, o enfrentamento das filas exige mais do que ampliar a oferta: é necessário integrar a atenção básica, os serviços especializados e os hospitais, acompanhando o paciente ao longo do atendimento.
Regulação e atenção básica
Nesse modelo, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) identificariam a necessidade do paciente, que seria inserido na estrutura de regulação e encaminhado ao serviço adequado. A proposta também exige transparência sobre a demanda e a definição de prioridades com base em critérios clínicos.
A fila única não seria apenas uma lista reunindo todos os pacientes. Segundo Nísia, a regulação deve conhecer a demanda, a oferta disponível e o grau de urgência de cada caso. Assim, pacientes em situação de maior risco poderiam ser atendidos com mais rapidez, enquanto outros continuariam sendo acompanhados na atenção básica até a realização do procedimento necessário.
A ex-ministra relacionou a estratégia ao programa Agora Tem Especialistas, voltado à redução do intervalo entre o primeiro atendimento e o acesso à atenção especializada. A organização do percurso do paciente também evitaria que o cidadão tivesse de procurar sozinho um local para realizar exames ou conseguir consultas.
“É preciso ter transparência e prioridade por risco”, disse Nísia. Para ela, a integração entre os níveis de atendimento é necessária porque o cuidado pode envolver exames, cirurgia, acompanhamento hospitalar e retorno à atenção primária. Sem comunicação entre os serviços, podem ocorrer repetição de exames, perda de informações e interrupção do tratamento.
Integração da rede
Nísia citou a área de transplantes como exemplo de uma assistência organizada por critérios definidos, acompanhamento da demanda e prioridades baseadas em parâmetros médicos. Na avaliação dela, o mesmo princípio deve orientar outras áreas da atenção especializada.
O fortalecimento das UBSs também faz parte da proposta. A expansão e a modernização dessas unidades, inclusive com investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), podem ampliar a capacidade de diagnóstico e acompanhamento antes do encaminhamento aos hospitais. Agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias foram citados como integrantes da ligação entre os serviços públicos e os territórios.
A defesa de Nísia é que o acesso a especialistas siga critérios públicos e verificáveis, reduzindo a fragmentação entre os serviços e evitando que a capacidade individual de buscar atendimento determine quem será atendido primeiro.








