O papa Leão XIV afirmou que o avanço de grupos de extrema direita e sua aproximação com determinadas manifestações religiosas não representam uma expressão autêntica do cristianismo. Ele defendeu o retorno a valores do Evangelho baseados na compreensão, na compaixão e no acompanhamento.
A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa no voo de retorno de Metz, na França, para Roma, após o encerramento da visita do pontífice ao país. Ao comentar o cenário político internacional, Leão XIV mencionou o crescimento de grupos de extrema direita e a aproximação entre posições políticas e manifestações religiosas na Alemanha.
“Não representa uma expressão autêntica do cristianismo”, afirmou o papa ao rejeitar a apresentação dessa religiosidade como uma manifestação legítima da fé cristã. Segundo ele, a avaliação também é compartilhada por lideranças das Igrejas Católica e Protestante na Alemanha.
Violência e religião
Durante a passagem por Metz, Leão XIV condenou o uso do nome de Deus para justificar violência e opressão. Em um encontro inter-religioso, defendeu o diálogo entre religiões como instrumento para a construção da paz e disse que recorrer à religião para legitimar a violência constitui uma profanação.
O pontífice também afirmou que nada que desfigure a dignidade humana pode reivindicar inspiração divina. Em outros pronunciamentos feitos durante a visita à França, declarou que a grandeza de uma civilização deve ser medida pela forma como acolhe, protege e valoriza as pessoas, especialmente as mais vulneráveis.
Crítica aos gastos militares
Leão XIV criticou o aumento dos gastos militares e os interesses econômicos ligados à produção de armamentos. Ele afirmou que o mundo continua se armando e destinando somas enormes à indústria militar, da qual, segundo o papa, alguns poucos privilegiados obtêm lucros exorbitantes ao promover a guerra.
O pontífice defendeu que os recursos aplicados na expansão dos arsenais sejam direcionados para problemas sociais, como a fome, a falta de moradia e o desemprego. Também advertiu a Europa contra a ilusão do rearmamento e pediu esforços diplomáticos voltados à paz.
Saúde, educação e negociação
Ao tratar do papel da Igreja Católica diante de conflitos e tensões internacionais, Leão XIV defendeu investimentos em saúde e educação em vez de armas. Para o papa, a instituição deve promover a dignidade humana, a santidade da vida e políticas voltadas à população.
No encerramento das declarações, ele pediu que os governantes se encontrem, sentem-se à mesa e busquem soluções por meio do diálogo. Leão XIV afirmou que os líderes devem abandonar guerras que já não fazem sentido e procurar caminhos de reconciliação.
A viagem do pontífice à França incluiu compromissos em Paris, Lourdes e Metz, além de uma missa em Metz antes do retorno a Roma. Durante a visita, ele fez apelos pela paz, pela reconciliação e pelo diálogo inter-religioso.








