FRANÇA — A produção de vinho no país deve ficar entre as menores dos últimos 30 anos, segundo estimativa divulgada pelo Ministério da Agricultura francês nesta segunda-feira (7/9). O volume previsto é de cerca de 33,9 milhões de hectolitros, equivalente a 4,5 bilhões de garrafas.
O resultado representa uma redução de 6% em relação ao ano passado e de 17% ante a média produtiva de 2021 a 2025. A produção francesa já havia recuado em 2024 e 2025. Ondas de calor e a seca durante o verão reduziram o rendimento dos parreirais, e a colheita ocorreu excepcionalmente cedo, informou o ministério.
A produção de champanhe deve ser uma das mais afetadas. Na região de Champagne, a previsão é de queda de 49% em relação a 2025 e de 47% na comparação com a média de cinco anos. Em Borgonha-Beaujolais, o recuo estimado é de um terço. Vale do Loire e Charentes devem registrar reduções de 12% e 6%, respectivamente.
Em Bordeaux, a expectativa é de aumento de 10% sobre 2025. As chuvas no fim de agosto ajudaram a compensar os efeitos da seca, mas o volume ainda deve ficar abaixo da média de cinco anos.
A área de produção diminuiu 2,5% neste ano, na comparação com o ano passado. O excesso de oferta diante do menor consumo levou produtores a arrancar parte dos vinhedos. O setor também foi afetado pelas tarifas dos Estados Unidos em 2025, enquanto o consumo atingiu o menor nível em mais de 60 anos.
Medidas para a agricultura
O governo francês informou que julho de 2026 foi o mês mais quente já registrado no país, com temperatura média de 24,9ºC. Cerca de 65% do território sofreu com a seca, e 95 dos 101 departamentos tiveram restrições hídricas. Desse total, 79 estavam em estado de crise.
As perdas médias de produção chegaram a 50% em muitas áreas, informou o governo. Para apoiar os agricultores, serão mobilizados mais de um bilhão de euros. O pacote inclui 520 milhões de euros em indenizações para produtores segurados, 30 milhões de euros em auxílio para desastres agrícolas e 300 milhões de euros em isenção do imposto predial sobre terrenos não cultivados.
Também foi criado um fundo de estímulo agrícola de 235 milhões de euros, administrado pelas prefeituras, para financiar a compra de forragem, sementes e mudas, além de ações de prevenção de incêndios. O auxílio para fertilizantes nitrogenados, de 145 milhões de euros, foi prorrogado até 31 de dezembro de 2026. O apoio ao diesel não rodoviário para a agricultura, de 106 milhões de euros, seguirá até outubro.
O fundo de segurança social agrícola cobrirá 20 milhões de euros em contribuições, com planos de pagamento individualizados.








