PARANÁ — Produtores de quatro regiões do Paraná iniciaram os preparativos e a semeadura da soja após o fim do vazio sanitário. Desde o dia 1º de setembro, as áreas norte, noroeste, centro-oeste e oeste estão autorizadas a plantar a oleaginosa.
Em Toledo, no oeste do Estado, Adriano Vivian começou o plantio nesta sexta-feira (4/9), aproveitando as condições de umidade do solo e a predominância do calor. “O clima está excelente, está sendo uma arrancada espetacular”, afirmou.
O produtor antecipou a operação em relação à safra anterior, quando a semeadura começou em 14 de setembro. A decisão levou em conta as previsões de um El Niño de maior intensidade. Vivian estima colher cerca de 80 sacas por hectare, resultado semelhante ao das temporadas anteriores, com apoio de investimentos em tecnologia e do clima favorável.
A rentabilidade, porém, continua pressionada. Segundo o produtor, os últimos dois anos foram os piores em um período de dez anos. Mesmo com a alta recente do preço da commodity, os custos de insumos e máquinas permanecem elevados. Por isso, ele reduziu a área de soja e ampliou a de milho, de 30 hectares para 100 hectares.
Em Palotina, também no oeste paranaense, Ronaldo Vendrame planeja iniciar o plantio em 10 de setembro. A área de 40 hectares foi dessecada, tratada e adubada, com uso do sistema de plantio direto. A expectativa é alcançar 70 sacas por hectare, o mesmo volume do ano anterior.
Janela de plantio e riscos climáticos
O sudoeste do Paraná será liberado para o plantio em 11 de setembro. Nas demais regiões, a autorização começa no dia 20 deste mês. De acordo com o Simepar, as temperaturas devem alternar médias acima e abaixo de 20ºC nas próximas semanas, com previsão de alguns dias de chuva.
Edmar Gervásio, administrador do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, avalia que chuvas regulares e dias de sol mantêm condições adequadas para a semeadura. Precipitações intensas em novembro e dezembro podem dificultar o tratamento das plantas e aumentar a incidência de fungos ligados à ferrugem asiática e a outras doenças.
Dias nublados também podem reduzir a produtividade e prolongar o ciclo da cultura. As chuvas previstas para janeiro e fevereiro, por sua vez, podem atrapalhar a retirada da soja do campo e reduzir a qualidade dos grãos. Vendrame também cita o risco de vendavais para as lavouras e para as granjas de avicultura da propriedade.
Estimativa para a safra 2026/27
A primeira projeção do Deral indica produção recorde de 22,6 milhões de toneladas de soja no Paraná, em uma área estimada de 5,76 milhões de hectares. O número representa aumento de 4% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média projetada supera 3.900 quilos por hectare, ou 65 sacas por hectare.
Gervásio afirma que o clima será determinante para confirmar o potencial estimado. Com a previsão, o Paraná deve permanecer na segunda posição do ranking nacional, atrás de Mato Grosso. Na safra 2025/26, os Estados produziram 21,9 milhões de toneladas e 51,6 milhões de toneladas, respectivamente. Goiás aparece em terceiro lugar, com 20,1 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).








