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Estudo aponta concentração de gastos prisionais em pessoas negras em 26 estados

Levantamento do Centro de Pesquisa Justa mostra que R$ 13,7 bilhões dos investimentos prisionais tiveram pessoas pretas ou pardas como alvo.

Estudo aponta concentração de gastos prisionais em pessoas negras em 26 estados

Um estudo do Centro de Pesquisa Justa aponta que pessoas pretas ou pardas foram alvo de R$ 13,7 bilhões dos R$ 22,3 bilhões investidos no sistema prisional de 26 unidades federativas no ano passado. O Acre ficou fora da análise porque não forneceu os dados à instituição.

Na prática, a cada R$ 10 destinados a prisões, R$ 6 foram direcionados ao encarceramento de pessoas negras. A advogada Sofia Fromer, do Justa, afirmou que a seleção ocorre ao longo do sistema de segurança e justiça, com participação da polícia, do Ministério Público e do Judiciário. Para ela, o cenário evidencia uma lógica punitivista e seletiva.

Pouco dinheiro para quem deixa a prisão

O levantamento também mostra a diferença entre os recursos destinados às polícias e os aplicados em políticas para egressos do sistema prisional. Em 2025, para cada R$ 5.423 gastos com as polícias estaduais — Militar, Civil e Técnico-Científica —, apenas R$ 1 foi destinado a programas voltados a pessoas que deixaram a prisão.

O investimento nessas políticas passou de R$ 18 milhões em 2024 para R$ 19 milhões no ano passado. O montante representou, em média, 0,001% das despesas totais analisadas.

Entre as 26 unidades federativas avaliadas, 19, ou 72%, não investiram em políticas exclusivas para egressos. Tocantins aprovou recursos na Lei Orçamentária Anual, mas não os utilizou. Alagoas e Tocantins deixaram de investir, enquanto Rio Grande do Sul e Santa Catarina fizeram aportes pela primeira vez em 2025, de R$ 414 mil e R$ 177 mil.

São Paulo aplicou R$ 13,3 milhões, o maior valor entre os estados analisados. Na sequência apareceram Ceará, com R$ 3,8 milhões, Mato Grosso, com R$ 781 mil, e Bahia, com R$ 482 mil.

Segundo Fromer, as políticas para egressos precisam envolver saúde, educação, assistência social e direito. A proposta é ampliar as condições para que essas pessoas obtenham trabalho, renda, moradia, documentos e contato com os filhos, reduzindo a possibilidade de retorno às prisões.

Policiamento concentra orçamento

Os investimentos em segurança pública nos 26 territórios somaram R$ 103,5 bilhões no ano passado. As Polícias Militares receberam R$ 60,7 bilhões, equivalentes a 58,6% do total, para o policiamento ostensivo. As Polícias Civis ficaram com R$ 22,2 bilhões, ou 21,5%, enquanto as Polícias Técnico-Científicas receberam R$ 2,8 bilhões, 2,7% dos recursos.

Para Luciana Zaffalon, diretora-executiva do Justa, o aumento do policiamento ostensivo sem avanço proporcional na investigação e na produção de provas amplia a capacidade de prender, mas não necessariamente melhora o esclarecimento dos crimes.

Nos últimos três anos, os gastos dos estados com as polícias cresceram, em média, 9,7%. No mesmo período, o investimento no sistema prisional avançou 1,7%, e os recursos para políticas exclusivas para egressos subiram 5,3%. Em 2025, os gastos com polícias no Brasil ultrapassaram R$ 100 bilhões.

Fromer descreveu os investimentos como um funil: o maior volume fica na entrada, com as polícias; depois vêm o sistema prisional e, por último, as políticas para quem deixa a prisão. Para a advogada, inverter essa prioridade criaria oportunidades de reinserção social.

Mega-presídios e Plano Pena Justa

Renan Santos, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, candidatos à Presidência da República, já declararam concordância com o modelo de segurança associado ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que inclui a construção de mega-presídios. Fromer considera que novas vagas não resolvem, sozinhas, os problemas do sistema brasileiro.

Ela também afirmou que a construção de mega-presídios não funcionaria no Brasil e que não haveria orçamento para essas estruturas.

Em 2025, o Conselho Nacional de Justiça, junto com o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, elaborou o Plano Pena Justa com base na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 347, determinada pelo Supremo Tribunal Federal em outubro de 2023.

O plano prevê mais de 300 metas até 2027, entre elas a melhoria das prisões e dos serviços, o controle da superlotação e o fortalecimento da ressocialização. Muitas medidas são voltadas a egressos. O estudo do Justa, porém, indica que a iniciativa ainda não apresentou resultados relevantes.

Para Fromer, o cumprimento das metas depende da definição de orçamento pelos estados. Sem recursos específicos, segundo ela, as ações previstas no Plano Pena Justa não conseguem avançar.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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