Os preços do trigo avançam no Brasil enquanto aumentam as dúvidas sobre a safra de 2026. A preocupação envolve a qualidade dos grãos, o rendimento das lavouras e o volume que será produzido, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Nesta segunda-feira (21/9), o indicador Cepea/Esalq para o trigo pão ou melhorador alcançou R$ 1.532,17 por tonelada no Paraná, com alta de 5,20% no acumulado de setembro. No Rio Grande do Sul, o trigo brando foi cotado a R$ 1.419,84 por tonelada, avanço de 5,25% no mesmo período.
Clima e qualidade dos lotes
O Cepea informou que o excesso de chuvas, a maior umidade do solo e a ocorrência de doenças em várias regiões prejudicaram o desenvolvimento das plantações. Em algumas áreas, as condições resultaram em qualidade abaixo da esperada.
Os produtores já demonstravam desestímulo para investir na cultura em 2026, movimento que levou à redução da área cultivada e da produção. Com a colheita avançando, os impactos do clima ampliam as incertezas sobre os resultados da safra.
Entre os problemas relatados estão quedas no PH, na força do glúten e no Falling Number, teste usado para medir a qualidade do trigo destinado à produção de farinha de panificação.
No Paraná e em São Paulo, colaboradores do Cepea identificaram trigo dos tipos 2 e 3, considerados de menor qualidade, nos lotes colhidos. Também foi observada menor disponibilidade do tipo 1, de maior qualidade comercial. O cenário pode aumentar a dependência de importações para atender ao consumo doméstico.








