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Rio Negro recua e ameaça turismo comunitário durante nova previsão de seca

Ribeirinhos temem repetir os impactos da estiagem de 2023 e 2024, enquanto organizações cobram medidas permanentes para água e produção.

Rio Negro recua e ameaça turismo comunitário durante nova previsão de seca

O recuo do Rio Negro já altera a rotina da comunidade Tumbira, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, em Iranduba (AM). O empreendedor de turismo comunitário Roberto Brito deixou de aceitar novas reservas para outubro e novembro diante do risco de barcos voltarem a ficar impedidos de passar por trechos rasos.

Durante a estiagem de 2023 e 2024, Brito teve de devolver dinheiro a turistas após cancelar operações. “Não estou fazendo reserva para outubro e novembro”, afirmou. Ele mantém uma reserva até dia 20 de setembro.

Quando houve acompanhamento na comunidade, nos dias 27 e 28 de agosto, o nível do rio havia baixado 28 cm, ou 14 cm por dia, conforme os dados do porto de Manaus. Em setembro, a queda acumulada chegou a 2,57 metros, levando o nível a 21,62 metros. Apenas no dia anterior, o recuo havia sido de 19 cm.

Dependência do rio

A comunidade reúne 40 famílias e cerca de 160 pessoas. Aproximadamente 70% da economia local depende do turismo, e o acesso é feito exclusivamente por barco. A Tumbira fica a cerca de 70 km de Manaus em linha reta.

Brito afirma que a redução diária acima de 12 cm, no período mais seco e quente, entre julho e novembro, é motivo de preocupação. Na estiagem anterior, segundo ele, houve dias em que o rio baixou entre 25 e 28 cm. “Isso foi totalmente fora do normal”, disse.

O temor aumentou com o retorno do El Niño em 2026. O fenômeno estava ativo entre 2023 e 2024 e é associado à seca na região Norte do Brasil. O ribeirinho, que nasceu na comunidade de Santa Helena do Inglês e vive na região há 51 anos, afirma perceber mais calor e períodos secos mais intensos.

Pedido por medidas permanentes

Em agosto, a Cáritas Arquidiocesana de Manaus realizou uma audiência popular sobre ações emergenciais para povos e comunidades ribeirinhas. Organizações civis e órgãos públicos participaram do encontro. Dos 28 órgãos convidados, treze compareceram.

Lideranças de dez comunidades indicaram como prioridades a segurança alimentar e o acesso à água. Entre as demandas apresentadas estão a perfuração de poços, triciclos para transportar a produção e sistemas de irrigação.

A secretária-executiva da Cáritas, Daniele Rodrigues da Silva, afirmou que faltam investimentos do poder público. Segundo ela, representantes da Defesa Civil do Amazonas, da Secretaria de Saúde, do ICMBio, do IPAAM e da Secretaria de Meio Ambiente do Estado participaram da audiência, mas não apresentaram um plano para uma possível seca.

O encontro resultou em uma carta-manifesto com cobrança de resposta do Estado. O documento defende que cestas básicas e fornecimento emergencial de água não substituem estruturas permanentes para produção e abastecimento.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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