A tilápia brasileira perdeu espaço nas exportações para os Estados Unidos, enquanto a entrada do produto vietnamita avançou no mercado nacional. No 1º semestre de 2025, o Brasil exportou 6.893 t para os EUA; neste ano, o volume caiu para 2.778 toneladas.
A piscicultura também aponta aumento nas compras externas. Entre janeiro e agosto deste ano, as importações de filé de tilápia do Vietnã passaram de 1.407 toneladas para 4.892 t, uma alta de 3,5 vezes, conforme dados do Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura, da Embrapa Pesca e Aquicultura.
Diante desse cenário, entidades do setor entregaram na quinta-feira (24/9) ao ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, uma proposta para limitar as importações anuais a 16,2 mil toneladas. O volume corresponde a 5% do consumo nacional de filé de tilápia.
A medida abrangeria produtos de qualquer país. Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), afirmou que a proposta não pretende interromper as compras externas nem fechar o mercado brasileiro, mas criar um limite para a entrada do produto estrangeiro.
Assinam o documento a Abipesca, a Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP), a Associação Catarinense de Aquicultura (ACAq), a Associação Mineira de Aquicultura (Peixe MG) e a Associação dos Aquicultores de Mato Grosso (Aquamat).
As entidades também pedem fiscalização mais rigorosa sobre padrão de identidade e qualidade, teor de glazing, que corresponde à adição de água, e conformidade socioambiental. Segundo o setor, o filé vietnamita chega ao Brasil por preço menor devido à adição de água, prática proibida para empresas nacionais.
A importação de tilápia do Vietnã foi retomada em dezembro de 2023. A espécie é a terceira mais importada pelo Brasil, atrás do salmão e do pangasius. Para Marilsa Patrício Fernandes, secretária executiva da Peixe SP, “A piscicultura corre sério risco de colapso” sem uma medida contra as importações.








