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Manejo e monitoramento devem orientar lavouras sob influência do El Niño

Pesquisadores recomendam planejamento de médio e longo prazo, atenção ao clima e adoção de técnicas específicas em cada região.

Manejo e monitoramento devem orientar lavouras sob influência do El Niño

A ocorrência de um El Niño de intensidade muito forte não determina, por si só, o resultado da safra. Para o pesquisador Santiago Viana Cuadra, da Embrapa Agricultura Digital, o desempenho das lavouras dependerá do planejamento, da execução de boas práticas, do uso de tecnologia e dos níveis de manejo adotados pelos produtores.

A avaliação foi apresentada em videocast realizado pela BB Seguros nesta quinta-feira (10/9). Cuadra afirmou que as estratégias precisam ser planejadas para o médio e o longo prazo, porque algumas medidas não produzem efeitos imediatos. Entre os exemplos estão a rotação de culturas e o plantio direto.

O pesquisador também recomendou acompanhamento frequente das condições no campo. Um calendário fixo para estabelecer datas de plantio e de aplicação pode não funcionar em um cenário de maior variabilidade climática. O cultivo fora da janela indicada pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) deve ser evitado.

Recomendações por região

Na região Sul, onde a previsão indica chuvas acima da média nesta safra, as propriedades devem considerar drenagem, plantio de contorno e terraceamento. Essas técnicas ajudam a reduzir o risco de encharcamento e de lixiviação de nutrientes, processo em que a água remove esses insumos do solo. A maior probabilidade de pragas e doenças também exige controle imediato.

Para áreas mais secas do Norte e do Nordeste, a orientação é melhorar a infiltração de água no solo com plantas de cobertura. A análise e a correção do solo também foram recomendadas para aumentar a retenção de nutrientes e favorecer o aprofundamento das raízes.

O aquecimento das águas do oceano Atlântico desloca sistemas que favorecem as chuvas para o Centro-Sul e o Sudeste do país, mas não elimina o calor. A meteorologista Nicolle Monteiro, da Climatempo, afirmou que novembro deve registrar temperaturas ainda mais altas e que podem ocorrer ondas de calor na zona central do Brasil, até 4ºC acima da média regional.

Também há preocupação com a formação mais lenta da Zona de Convergência Intertropical, sistema responsável por grande parte das chuvas no Norte e no Nordeste. A condição pode afetar a produção na Sealba, formada por Sergipe, Alagoas e Bahia, especialmente na agricultura familiar, além da navegabilidade dos rios amazônicos, que devem ficar mais secos.

Cuadra reforçou que o acompanhamento das condições ao longo da safra é necessário para reduzir o risco de replantio. Na Sealba, ele apontou preocupação com o impacto sobre produtores da agricultura familiar sem capitalização.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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