A inadimplência no crédito rural entre produtores pessoas físicas alcançou 9,7% da carteira de recursos direcionados em agosto, novo recorde. O índice considera operações com atraso superior a 90 dias e estava em 1% no mesmo mês de 2023. Em julho, havia chegado a 8,8%.
Os dados fazem parte das Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central. A carteira considerada para as pessoas físicas somava R$ 557,7 bilhões em agosto, com recursos vindos de depósitos à vista e da poupança rural.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, relacionou o avanço à dificuldade financeira, ao endividamento e à falta de liquidez observados no campo desde 2025. Para ele, o ambiente deve continuar desafiador e pode afetar a safra 2026/27, que começou a ser plantada. “A única ação que poderia mudar isso no curto prazo é a da renegociação das dívidas, e ela tem se mostrado que não tem este poder todo”, afirmou.
A alta da inadimplência também aparece na divisão por modalidade de crédito. Nas operações com taxas de mercado, o índice entre pessoas físicas passou de 15,6% em julho para 17,6% em agosto, o maior nível da série acompanhada pelo Banco Central desde 2011. Nos financiamentos com juros controlados, subiu de 3,7% para 3,8%, também recorde.
Empresas e concessão de crédito
Entre as pessoas jurídicas, a inadimplência chegou a 1% no conjunto das operações, o maior índice desde o pico de 5,8% registrado em outubro de 2020. Em agosto, o percentual ficou em 1,2% nos contratos com taxas de mercado e em 0,4% nos financiamentos com tarifas controladas.
A carteira de crédito rural direcionado das empresas somava R$ 127,1 bilhões. Os juros médios cobrados das pessoas jurídicas recuaram de 12%, em julho, para 11,6% ao ano em agosto. Para as pessoas físicas, permaneceram em 11,1% ao ano.
O aumento do endividamento e dos atrasos tem levado as instituições a serem mais cautelosas na concessão de novos financiamentos, segundo Guilherme Campos. Lideranças do setor também relatam lentidão na contratação das linhas tradicionais e redução da área financiada pelo Plano Safra, além de dificuldades de acesso à renegociação prevista na Medida Provisória 1.376/2026.
David Télio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna, afirmou que alguns produtores estão deixando de pagar os bancos para direcionar o dinheiro da venda da produção passada à compra de insumos para a nova safra. Na avaliação dele, a estabilização do mercado ainda deve levar tempo.







