BELO HORIZONTE — O controle do bicudo-do-algodão terá uma nova alternativa em discussão no 15º Congresso Brasileiro do Algodão, que começa nesta terça-feira (22/9). O produto biológico Grandis, da empresa suíça Biotrop, foi testado em campo e aguarda registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o produto pode reduzir em até 40% o uso de químicos nas lavouras e tem custo menor que a opção química. O bicudo (Anthonomus grandis) pode causar perdas de até 70% na produtividade. A eliminação da praga é considerada praticamente impossível.
O congresso também terá o lançamento da cultivar GA 912, da Girassol Agrícola. A variedade combina promessa de elevado peso médio dos capulhos com rendimento de fibra de 41,8%.
O evento ocorre em Belo Horizonte até quinta-feira (24/9), com expectativa de receber mais de 4.000 participantes ligados à produção, ao comércio, à indústria e à pesquisa. A programação inclui debates sobre fibras sintéticas, rastreabilidade, desmatamento, cadeia de custódia, gestão de custos e inovação tecnológica.
Produção, mercado e exportações
A safra brasileira está perto do fim, com estimativa de 4,25 milhões de toneladas, enquanto a área plantada recuou 8% em relação a 2025. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial e lidera as exportações de pluma.
Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o país embarcou 3,5 milhões de toneladas, ante 2,8 milhões dos Estados Unidos. No mercado interno, ficam cerca de 700 mil toneladas, ou 30% da produção. A meta da cadeia é elevar esse volume para 1 milhão de toneladas até 2030.
China, Bangladesh, Turquia, Vietnã, Paquistão, Índia e Egito estão entre os compradores do algodão brasileiro. Índia e Egito abriram seus mercados há dois anos.
Portocarrero afirma que o setor movimenta US$ 135 bilhões e tem um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 74 milhões, conforme dados da Abrapa. O congresso bienal tem investimento estimado entre R$ 12 bilhões e R$ 14 bilhões, custeado por empresas e inscrições.
A fibra natural está 25% mais barata que a sintética no cenário atual, enquanto, em condições normais, o algodão custa 20% a mais. O consumo mundial, de cerca de 24 milhões de toneladas, está estagnado há 12 anos. Para o diretor-executivo, a preocupação com microplásticos, saúde e impactos ambientais pode abrir espaço para expansão do algodão, que tem 60% dos fios classificados como de primeira linha e 99,9% dos fardos rastreados individualmente.








