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Partidos mostram diferenças na presença negra nas eleições do Rio Grande do Sul

Dados do TSE registram 188 candidaturas pretas ou pardas no estado em 2026, com presença desigual entre legendas e cargos.

Partidos mostram diferenças na presença negra nas eleições do Rio Grande do Sul

A presença de pessoas pretas ou pardas nas disputas majoritárias do estado inclui duas candidaturas ao governo e duas para vice-governador em 2026. Rejane de Oliveira, do PSTU, autodeclarada preta, e Cesar Pontes, do PCO, autodeclarado pardo, concorrem ao governo. Para vice, disputam Naf Nascimento, da UP, autodeclarada preta, e Tiago Nilo, do PCO, autodeclarado pardo.

Na eleição para o Senado, não há candidatura titular de pessoa autodeclarada negra. Todos os candidatos titulares se declararam brancos. As duas vagas de suplência, porém, têm candidatos negros: Enio Alves e Claudiane Lopes, ambos da UP e autodeclarados pardos, concorrem à primeira suplência. Para a segunda, estão Tamyres Filgueira e Lucas Caregnato, do PT, autodeclarados pretos, além de Débora Bernardes, da UP, autodeclarada parda.

Diferenças entre os partidos

Os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o Podemos reúne o maior número absoluto de candidaturas negras no Rio Grande do Sul em 2026: 21 entre 78, ou 26,92%. O PSD aparece com 18 entre 73, enquanto PDT e PT têm 16 cada, em totais de 81 e 66 candidaturas, respectivamente. No PSB, são 15 entre 47, o equivalente a 31,91%.

Considerando a proporção dentro de cada legenda, o PRD tem quatro candidaturas negras entre cinco, ou 80%. O Solidariedade registra cinco entre 12, e a UP, cinco entre 13. Na sequência aparecem PSB, com 31,91%, e Psol, com 28,89%.

Na comparação com 2022, o Podemos passou de nove candidaturas negras, que correspondiam a 10,71% do total da legenda, para 21 em 2026, ou 26,92%. O PSD avançou de 13 para 18, e o PDT, de 12 para 16. Já o Avante caiu de 26 para cinco, enquanto o Solidariedade recuou de 28 para cinco. No PP, foram 14 em 2022 e quatro em 2026; no União Brasil, a redução foi de dez para uma.

O PSC, que tinha 18 candidaturas negras em 2022, não aparece em 2026 após mudanças partidárias. O PTB, que registrou nove naquele ano, também não aparece neste ano.

Participação no conjunto das candidaturas

Em todo o estado, foram registradas 188 candidaturas negras em 2026, entre 1.051 candidaturas. O grupo representa 17,89% dos registros. Em 2022, eram 279 candidaturas negras em um total de 1.437, participação de 19,42%. A diferença foi de 91 candidaturas e 1,53 ponto percentual.

As candidaturas de pessoas pretas passaram de 161, em 2022, para 101, em 2026. A participação desse grupo caiu de 11,20% para 9,61%. Entre pessoas pardas, os registros foram de 118 para 87, mas a proporção ficou próxima: passou de 8,21% para 8,28%.

O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou que 2,3 milhões dos quase 11 milhões de moradores do Rio Grande do Sul se declararam pretos ou pardos. Esse grupo corresponde a cerca de 21% da população estadual, acima dos 17,89% observados entre as candidaturas de 2026.

Mulheres negras

Entre as 188 candidaturas negras deste ano, 81 são de mulheres pretas ou pardas e 107 são de homens pretos ou pardos. As mulheres representam 7,71% do total de candidaturas, enquanto os homens correspondem a 10,18%.

Em 2022, havia 118 candidaturas de mulheres negras, equivalentes a 8,21% do total, e 161 de homens negros, que correspondiam a 11,20%.

Para Maria Lúcia Moritz, professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o financiamento das campanhas está entre os fatores ligados à participação eleitoral. Ela afirma que, em 2020, o TSE determinou a divisão proporcional das verbas do Fundo Partidário e do FEFC/“Fundão” conforme o número de candidaturas negras.

Segundo Moritz, em 2022, o repasse total aos homens brancos eleitos para a Câmara dos Deputados foi cerca de três vezes maior que o destinado aos negros, quatro vezes maior que o direcionado às mulheres brancas e nove vezes maior que o repassado às mulheres negras. A professora também afirma que raça e gênero produzem efeitos diferentes sobre as candidaturas e os resultados eleitorais.

Em 2024, a Emenda Constitucional 133 alterou a distribuição desses recursos. Desde então, os partidos devem destinar 30% do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário usado nas campanhas às candidaturas de pessoas pretas e pardas, independentemente da proporção delas. A regra vale para 2026, mas permite que as legendas escolham em quais estados aplicar os recursos, sem exigir o cumprimento do percentual em cada unidade.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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